Anton Chekhov with pince nez hat and bow tie
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O Jardim das Cerejeiras, de Anton Tchekhov

Para comemorar seus quarenta anos, o grupo TAPA escolheu montar O Jardim das Cerejeiras de Anton Tchekhov, sua última peça encenada em 1904 na Rússia ás vésperas de uma Revolução. Mas o que se apresenta são os antigos costumes aristocratas arraigados no comportamento dos proprietários Líuba (Clara Carvalho) e seu irmão Leônid (Brian Penido Ross) também o criado, Firs (Guilherme Sant”Anna).
 
O cerejal guarda lembranças de uma infância, de felicidade em família no tempo que as frutas traziam prosperidade, em licores e compotas.
Misturado às impressões atuais de Liúba, ao glorificar o cerejal  em sua memória e seu irmão fazer uma ode a um armário centenário, qualificam a propriedade com olhos e visões de um tempo áureo.
Sustentam a mania perdulária e vicio em jogos e retornam a casa natal com pompa e celebração  arrojada, frente à condição do imóvel prestes a ser leiloado.
Liúba (Clara Carvalho) traz o êxtase de felicidade e o precipício da vida dura.
Leônid (Brian Penido) têm a vocação de falastrão, com ideias e juízo sobre jogo, afeto prometido às sobrinhas, ganha em simpatia mas dispensa cuidados.
Para costurar o contraste de empenho real, a governanta Carlota (Mariana Muniz) traz um personagem que varia do realismo do diretor Eduardo Tolentino, na figura de um inconsciente da realidade, o mágico e maravilhoso.
O inexorável papel de Lopakhin (Sergio Mastropasqua) sugestiona lotear o cerejal aos irmãos.  Vencido pelo silêncio,  o filho de camponeses, árduo trabalhador e conhecedor da decência das pessoas compra a propriedade mas sem o trato aristocrata. Isto quer dizer, não produz a expectativa sobre a filha de Liúba; Vária (Anna Cecília Junqueira) e um casamento.
 

A incomunicabilidade entre os dois seria a efetividade de um amor astucioso para a plateia,  o fervor da disciplina separa o casal para a conservação dos valores, numa ortodoxia.
O estudante Trofimóf (Alan Foster), traz o saber enxágue, promissor ao movimento de trocar a mão da propriedade, despossuir, no exercício e caráter das palavras, atiça a esperança; forma par com a joia da casa Ânia (Gabriela Westphal).
O proprietário de terras que devia a hipoteca, a todo momento expõe precisar de empréstimo com a palavra de ressarcimento, tão próprio de Bóris (Riba Carlovicht) e o humor depauperado e anímico.
Por fim Firs (Guilherme Sant’anna) um criado aristocrata, nostálgico como os proprietários, na evidência de ser negro nesta condição de servir, a venda da propriedade o fez como um móvel trancado no imóvel. Sem uso, sem vida própria, “bom para nada”.
É uma peça árida nos termos materiais e implacáveis da decadência, porém substanciosa de alegria e regozijo da nostalgia, o elemento mágico reina na mente aristocrática.
Ficha técnica:
Texto: Anton Tchekhov. Direção: Eduardo Tolentino de Araujo. Elenco: Adriano Bedin, Alan Foster, Alexandre Martins, Anna Cecília Junqueira, Brian Penido Ross, Clara Carvalho, Gabriela Westphal, Guilherme Sant’Anna, Mariana Muniz, Natália Beukers, Paulo Marcos, Riba Carlovich, Sergio Mastropasqua e Zécarlos Machado. Figurinos: Rosângela Ribeiro. Iluminação: Nelson Ferreira. Designer Gráfico: Mau Machado. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Produção Executiva: Ariel Cannal.

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