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The Medium, uma experiência real de terror psicológico

Nos últimos anos, a indústria dos games passou por mudanças em várias direções. Entre elas, o conceito de jogo exclusivo, quase que extinto, já que a tendência das desenvolvedoras é lançar e comercializar produções para qualquer plataforma, ou seja, que tudo que fosse lançado pudesse ser jogado independemente da hardware. Xbox é uma marca que se identifica com esse conceito, dando uma identidade ao console, em especial após a estreia das séries X e S, entretanto não tinha ainda apresentado um jogo exclusivo.

E The Medium, com projeto desenvolvido pelo estúdio independente Bloober Team, propôs para a Microsoft um game de terror, gênero survival horror, que homenageia a séries como Silent Hill e Resident Evil.

A Médium

O gênero terror sempre teve enormes desafios ao se tratar de narrativa, independente do meio que o interpreta. Gerar medo e, ao mesmo tempo, trazer uma história com personagens que podemos nos identificar é um desafio e tanto. Pouco conseguem e esse problema aumenta nos videogames, pois ainda há a tarefa de criar um mundo interativo no qual o jogador se sinta envolvido.

O estúdio polonês Bloober Team, que desenvolveu jogos como Layers of Fear, Observer e Blair Witch, trouxe uma história de fantasmas interessante apresentando a médium Marianne, que parte em uma jornada em busca de respostas para o seu passado.

Após a perda do pai, recebe um estranho telefonema que a leva a um balneário abandonado na Polônia, um local onde ocorreram coisas ruins. A protagonista sempre soube de sua capacidade de se comunicar com a vida após a morte e ajudar finalmente algumas descansarem, mas ela nunca imaginou como foi o seu passado antes de perder a família e ter sido colocada para a adoção.

O argumento começa com uma ideia muito boa com um potencial enorme. A abordagem do cenário, da visão do terror a espreita e a questão da paranormalidade são atraentes. Mas o estúdio não segue a linha fantasmagórica de uma forma mais séria, fazendo mais uma homenagem a Silent Hill.

Marianne é uma protagonista com motivos claros e um bom desenvolvimento, mas que no final, o contexto se afasta do transcendente que molda o argumento.

Entre dois mundos e… Sem Combate?

The Medium não é apenas uma homenagem em termos de narrativa e contextualização ao que Silent Hill fez com sucesso nos finais dos anos 1990 e inicio dos anos 2000, também busca replicar a jogabilidade sentida nesses jogos, dentro do seu design e dos controles; naquela atmosfera em que você sente que está em perigo a toda hora, com uma mecânica pensada para tal.

No game controlamos a Marianne com controles simples, sem muitos artifícios. As cenas são visualizadas por câmeras fixas que mudam dependendo de onde estamos, e que ajudam o jogo a ter uma ótima fotografia.

The Medium aproveita a velocidade de carregamento do Xbox para apresentar uma ideia inovadora, a dualidade de mundos – importante para um jogo que é desprovido completamente de combate. Podemos aventurar além do mundo real, no mundo espiritual. Marianne pode transitar nesses dois mundos, algo que pode ocorrer simultaneamente.

Como survival horror, onde o perigo está em se perder, conta com um script que leva a sustos clássicos, suspense no grau máximo e a maneira que o jogo alimenta a vontade de saber como a história termina.

Em certos momentos da aventura, encontraremos The Maw (a Mandíbula), um ser misterioso que pode nos ver diretamente quando estamos no mundo espiritual, enquanto quanto estamos  no mundo material, pode ouvir nossa respiração.

Cautela e comando no controle para não ser descoberto. Intimida esses encontros, em especial, os dois primeiros, bem tensos. E é isso que encontramos em The Medium, ambientação, é impressionante os detalhes que encontramos nos dois mundos simultaneamente.

Jogando e aprendendo

Inspirado em outras mídias de terror, The Medium tem referências diversas, como no caso das mariposas que já apareceram em livros e filmes. Mas que aqui bloqueiam a passagem para o mundo espiritual, quando aparecem. Para desbloquear, Marianne terá que retirar energia de uma fonte espiritual envolta em luto, tristeza ou a raiva das almas.

Outro aspecto interessante é a capacidade da protagonista de deixar sua alma sair do seu corpo para trilhar no mundo espiritual. Uma experiência limitada, pois sua alma se desintegra gradualmente até o desaparecimento total, caso não recupere seu corpo.

Ao longo de sua progressão o jogo libera novos comandos e itens. Além disso, um ambiente mesmo bem explorado ainda pode revelar outros itens, cruciais para a jornada da médium. Uma referência à capacidade humana de perceber a algo posteriormente.

Som

Temos uma trilha sonora de uma qualidade ímpar, com Arkadiusz Reikowski e a lenda da composição musical de Silent Hill, Akira Yamaoka. A ambientação é sinistra e auxilia por demais no terror psicológico que o jogo possui.

A trilha segue um trabalho de som que é o responsável por muitos sustos que teremos pela jornada de Marianne. É sensível o áudio que temos em cada um dos mundos…

Graficamente…

O Xbox tem limitado o potencial de seu poder gráfico. Em The Medium temos o uso do Unreal Engine 4, motor que funcionou bem em Gears 5, por exemplo, mas aqui já parece um pouco velho, isso é claro, mas funciona nessa dualidade de mundos dentro do jogo. Não que seja um jogo da próxima geração, isso é claro, e sim no quão impressionante é ver como dois mundos estão funcionando ao mesmo tempo.

Podemos detectar algumas quedas, especialmente quando há uma mudança abrupta entre a jogabilidade e a cinemática em tempo real, mas nada com que você realmente tenha que se preocupar.

Conclusão

O trabalho que o estúdio polonês Bloober Team desenvolveu, dentro do que tinha, orçamento modesto e sem grandes nomes para se exibir foi interessante. Os polacos apresentaram uma proposta de sucesso que visa trazer de volta a forma clássica de survival horror, que é algo que devemos, sem dúvida, aplaudir.

Recomendamos a todos os fãs do gênero, The Medium vai divertir, sob o entendimento de que estamos diante de um jogo muito abaixo dos melhores momentos de expoentes como Silent Hill ou o próprio Resident Evil. Houve riscos assumidos em termos de design para tirar vantagem do  conceito de rodar dois mundos paralelos ao mesmo tempo. De qualquer forma, não é um jogo transcendente como talvez alguns tenham acreditado, mas vale pelo que apresenta como um jogo exclusivo.

Nota: Ótimo – 3.5 de 5 estrelas

The Medium, uma experiência real de terror psicológico
3.5 / 5 Crítico
Avaliação

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