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300: A Ascensão do Império – roteiro piegas, atuações pontuais e o cinema pop

Baseada na novela gráfica de Frank Miller, ‘Xerxes’, ainda não publicada conta a continuação da história de como a Grécia, com ajuda espartana, triunfou sobre o império Persa  e foi dirigido por Noam Murro (nome recente do cinema). Mais um filme comercial e de efeitos especias assinado majoritariamente pela Warner Bros e Legendary Pictures. Contudo, o longa sofre com um roteiro adaptado inconsistente e atuações pontuais, que parece não encontrar um equilíbrio com o ritmo desmedidamente gráfico do filme.

A história é simples e bem levada pelo roteiro, se levarmos em conta a criação alternativa de um enredo para a Batalha de Salamina, bem como de personagens fictícios, pois o mesmo é esburacado quanto as mais certas especulações históricas aprendidas no ensino básico, e ainda mais tênue quanto as estruturas de poder da época, criando um panorama para uma mensagem declaradamente americana: guerra em prol da liberdade e democracia de todos (isso falando de Esparta e Atenas!). Esse “bom senso” e propagandismo de discursos se devem a Kurt Johnstad  (Ato de Valor)  e Zack Snyder  (O Homem de Aço), assinando um roteiro certo para criar um blockbuster.

O discurso irreal, mas cinematográfico, ganhou pontos de fluência nas atuações do trio formado por Eva Green (Artemisia), Sullivan Stapleton (Themistokles) e Lena Headey (Rainha Gorgo). Eles sustentaram pontualmente o elenco, sendo boas escolhas para as personagens chaves. Headey leva traços de sua bem-sucedida personagem Cersei Lannister para a matrona espartana (o que não havia na interpretação da persona no original), sem quebrar o roteiro carente, mas dirigindo-o, ainda que sua participação na guerra seja deslocada para sua posição, e principalmente trajes. Themistokles de Stapleton é estereotipado, bom soldado que convence. Eva Green é maldade e sedução na medida certa. Rodrigo Santoro como Xerxes é apenas necessário.

Outras produtoras que assinam o longa são Cruel and Unusual Films e Hollywood Gang Productions. A primeira participou de “Sucker Punch” e a segunda de “300” e “Imortais”, irmão das adaptações de Miller. O trabalho competente de efeitos especiais e fotografia tiveram participação da Moving Picture Company também responsáveis por “As Aventuras de Pi” e “Guerra Mundial Z”, que foi abusado pelo roteiro e pelos ângulos escalafobéticos de Murro.

O que fica de “300: A Ascensão do Império” é seu ritmo tomado pela fixação gráfica, o que recai muito em um cinema colorido, impressionista e fotográfico: pop no sentido mais banal. Se a literatura pop era dita ritmada pelo cinema, o cinema pop pode ser dito (?) tomado pelo apelo gráfico dos quadrinhos, ou a fixação pela fotografia saturada de pixels.

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Publicação Marcos Ordonha