“Está tudo na Natureza!” Por que essa frase? Vocês não acham que estar tudo na Natureza não quer dizer que nós mesmos estamos na Natureza? Um caminho que é natural, deixa ser então. A Natureza nos fez dela. É o que somos no ambiente. Quer dizer que está tudo no nosso Ser, a Empatia e Compaixão, essa conectividade com o mundo. São termos recentes para características dos Seres Humanos que foram compiladas e mais bem explicadas há pouco tempo, se usarmos o referencial do início do século XXI. O mundo gira, muita coisa muda.
Ao isolarmos a violência e os conflitos, eles são mais viscerais, em vista disso se exibiram mais rápido na infância humana. Se não havia diálogo, bem, ficava um pouco desencontrado. É de se entender, violência e os conflitos pertencem ao gênero Sapiens também, isso é inegável. Não se pode esperar uma comunicação não-violenta de uma onça faminta na selva, entretanto de uma pessoa sim, principalmente podemos esperar de um já bem definido e atualizado Homo Sapiens! O que tem que ser feito, o que precisa para tanto é o que nós humanos temos agora com a prática, o manejo da CNV, da Empatia e Compaixão. Todo o conceito deve ser visitado para haver a habituação, a forma de lidar com o outro através da Comunicação Não-Violenta. É da nossa natureza, logo o natural, deve apenas ser estimulado. Quando isso acontece acertamos na estratégia ideal, o possível para cada indivíduo. Muitos dirão que lembra uma forma sustentável de coexistir com o planeta, é sim, óbvio que podemos nos aproveitar do termo. Essas qualidades que demandam certas energias e disposição para aflorar, mas tem um saldo positivo no sentido da construção de relações mais humanas juntamente com o mundo ao redor!

Quem não se cansa ao lidar diariamente com os conflitos, com pessoas agindo de forma intransigente sem se importar com os outros, sem ligar para o mundo? Claro que é chato! Vamos lá, todos sabemos pela vivência que precisamos de paz e descanso, uma vida melhor, amizades, amores, família, que essas coisas precisam ser abastecidas.
Por isso, comenta De Waal (2010), “não acredite em ninguém que saia por aí afirmando que uma vez que a Natureza se baseia numa luta pela vida, só resta a nós, os humanos, viver dessa maneira. Muitos animais sobrevivem cooperando e compartilhando os recursos, e não aniquilando-se uns aos outros ou conservando tudo para si mesmos. Isso se aplica mais claramente aos animais que caçam em bando, como os lobos e as orcas, mas também aos nossos parentes mais próximos, os primatas.”
Ver a opinião dos outros é ver um ponto de vista a mais, e isso faz aumentar a compreensão geral entre os seres. Refletir sobre os assuntos faz o cérebro trabalhar. O Ser é essa complexidade e soma das coisas, é o pensamento alavancando o campo das ideias. Isso tem tanto efeito.
Documentário e ficção se entrelaçam neste filme que retrata o cotidiano da tribo indígena Yanomami e a luta de seus integrantes para preservá-la. Porque antes da colonização havia os Yanomami!
Tudo bem, voltando ao nosso amigo De Waal, ele continua sua exposição contra a competitividade infundada:
“O que necessitamos é de uma completa reformulação dos nossos pressupostos sobre a natureza humana. Muitos economistas e políticos assumem como modelo da Sociedade Humana a luta permanente que julgam existir na Natureza, o que não passa de uma projeção. Como os mágicos, primeiro eles jogam seus preconceitos ideológicos dentro da cartola da Natureza, para então tirá-los de lá pelas orelhas, mostrando que a Natureza corresponde ao que eles pensam. Já caímos nesse truque por um tempo longo demais. Obviamente, a competição faz parte do cenário, mas os humanos não podem viver somente de competição.”

Como espécie, diz Winston (2003) no evocativo Instituto Humano, também “não fomos fisicamente projetados para cidades grandes e anônimas, estresse de baixo nível, fast-foods, drogas viciantes e a fragmentação da vida comunitária. Quem inventou as armas nucleares não estava pensando na facilidade com que formamos alianças e recorremos à violência contra nossos inimigos. A busca por riqueza material e status frequentemente envolve a fragmentação de unidades familiares, e temos necessidades e desejos emocionais que nem sempre são realizados. Estávamos acostumados com a fofoca e a intriga que cresciam de um grupo unido e interdependente; agora devemos nos contentar com, grifo meu, programas de auditório.”
Portanto, não, a Natureza não nos fez para passarmos a perna uns nos outros; fosse assim, alguém aí ainda estaria de pé? Fosse assim, toda a História da Humanidade sequer teria sido escrita por falta de mãos ou canetas, não teria sobrado nada. Mas sobrou, sobra o agir humano no planeta Terra.









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