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“Amantes eternos” do Jim Jarmusch estuda a questão da obra no tempo que a expõe ao público

Vamos começar esta artigo com um personagem Igor. Ele está neste momento que escrevo este texto, olhando uma aranha que passeia pela sua parede. Daquelas que se escondem embaixo da cama. Teias e meias são o que mais existem no seu quarto.

Igor é esfomeado por cultura pop, trabalha numa padaria que funciona de madrugada. Dorme pela manhã e sai à tarde para consumir arte podendo ser desde quadrinhos, até ficção contemporânea falando de formas de ocultação do amor no outro. Igor pensou um dia em ser referencial como um bom filme pop e até visualizou um roteiro chamado Amantes eternos.

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Um dia este filme apareceu para ele numa noite onde ele havia faltado ao trabalho. O filme era de vampiros que tocavam rock & roll. Um cara Adam vivendo em Detroit compra guitarras antigas de um traficante delas. Ele tem um garota vampira que vive na África com um outro vampiro que parece que contracenou com Shakespeare e não gostava nadinha dele. Este Adam já viveu muito e parece que Anda deprimido com os falíveis humanos que ele chama de zumbis. Tem vontade de extinguir-se na sua eternidade. O tempo como produtor e consumidor de arte e artefatos culturais. Ele anda cansado desta indústria cultural que só produz asneiras, ele e os outros dois tem nostalgia de um pregresso século XVI XVII OU XVIII, onde as referências eram estudadas com afinco por embaixadores do conteúdo de uma obra. Ele vê agora uma ode à reciclagem, citações e paródias de riffs, e de trechos de novelas, pedaços ou cenas de filmes que tornaram-se cults. Mas durante o tempo que sua amante vem ficar com ele nos Estados Unidos, eles dois citam – ou recitam os clássicos; os imortais, criando uma interconexão entre os seus tempos de vida e a moldura sócio – cultural que transformou a obra em consumo massificado ou em cópia.

Usam uma estética vintage, estão sempre um passo atrás na moda, vivem como dândis usando copos de cristais para beber seus sangues que podem ser adquirido no hospital mais próximo. O que para Igor é o mais triste.

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