Atores de Hollywood anunciam oficialmente que entram em greve

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O sindicato dos atores de Hollywood (SAG-AFTRA) oficializou a greve que tem início marcado para a meia-noite de hoje. A decisão poderá interromper toda as produção audiovisual em curso nos Estados Unidos, uma vez que os roteiristas mantêm a greve que já dura dois meses. A paralização impactará cerca de 160 mil trabalhadores, de acordo com o Hollywood Reporter.

Esta será a primeira vez que atores e roteiristas de Hollywood entrarão em greve simultaneamente desde 1960, quando Ronald Reagan, futuro presidente dos Estados Unidos, na época ator, liderou uma ação que obrigou os estúdios a aceitarem concessões.

Embora a notícia tenha chegado apenas na tarde desta quinta-feira, já se pode sentir alguns efeitos da decisão do sindicato. O elenco de “Oppenheimer” deixou a première do filme em Londres, na Inglaterra, em solidariedade ao movimento, mesmo antes da oficialização. O diretor Christopher Nolan manifestou apoio aos atores que, segundo ele, já estavam “escrevendo seus cartazes […] , se juntando a um dos meus sindicatos, o dos roteiristas, na luta por compensações justas para os trabalhadores”.

A San Diego Comic-Con, que já estava sofrendo com a greve dos roteiristas, foi mais uma vez impactada e comunicou novos cancelamentos. Enquanto alguns estúdios como a Marvel, a Sony e a HBO anunciaram sua ausência em junho, já prevendo a paralisação, produções como Good Omens e That ’70s Show apenas afirmaram seu posicionamento nesta quinta-feira.

Em coletiva de imprensa, a presidente do SAG, Fran Drescher, e o líder das negociações, Duncan Crabtree-Ireland, falaram sobre a decisão. Eles afirmaram que alguns membros, como atores de comerciais ou de audiolivros, ainda podem manter suas atividades.

“Quando empregadores fazem de Wall Street e da ganância suas prioridades e esquecem dos contribuidores essenciais que fazem a máquina funcionar, nós temos um problema, e estamos vivendo isso neste momento”, disse Drescher.

Demandas

Os atores também pedem os “residuais”, pagamentos feitos toda vez que um filme ou programa que eles estrelaram é exibido em uma emissora ou na TV a cabo – uma renda particularmente útil quando os artistas estão entre vários projetos.

Plataformas como Netflix e Disney+ não estão mais divulgando os dados de audiência de seus programas e oferecem um valor fixo para tudo que está disponível em seus catálogos, sem considerar a popularidade de uma produção.

E ainda há a questão da inteligência artificial, que causa grande preocupação no meio da atuação. Tanto atores quanto roteiristas querem garantias de que seu futuro uso será regulamentado, mas os estúdios até agora se recusaram a ceder.

A Aliança dos Produtores de Filmes e Televisão (AMPTP, na sigla em inglês), em comunicado emitido após anúncio da greve, afirma que o SAG recusou várias situações propostas, entre elas, aumentos em pagamentos mínimos e residuais de exibições internacionais e uma “proposta inovadora de inteligência artificial que protege as imagens digitais dos artistas, incluindo a exigência de consentimento do artista para a criação e uso de réplicas digitais ou para alterações digitais de uma performance”.

Crabtree-Ireland, entretanto, refutou essa versão dos representantes dos estúdios.

“Eles propuseram que nossos figurantes pudessem ser digitalizados, recebessem o salário por um dia de trabalho, e suas empresas possuiriam essa digitalização, sua imagem, e poderiam usá-la pelo resto da eternidade em qualquer projeto que desejassem. Sem consentimento e sem compensação.”

*Informações via site Omelete e G1

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