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“Cilada.com” e “Assalto ao Banco Central” são variações de um mesmo erro

Por mais lugar comum que seja apontar os sucessivos desleixos artísticos que assolam o nosso cinema brasileiro, é também de grande importância que apontemos essa vertente (!!!) para que isso se reverte a nosso favor. A lógica de indústria aqui está completamente equivocada. Nem preciso dizer que o êxito de Hollywood vai por linhas (questionáveis) muito mais fundamentadas do que simplesmente aumentar seu volume de dólares. E, não arrisco dizer, que o cenário argentino – dada as devidas proporções – também procuram uma bem sucedida lógica própria e bem mais assertiva. Vejamos os seguintes casos de dois filmes “blockbusters” (com muitas abas) brasileiros, que vem rendendo muita grana nas bilheterias: Cilada.com e Assalto ao Banco Central.

Cilada.com, baseado no programa do humorista Bruno Mazzeo, no Multishow, repete o mesmíssimo erro de adaptações cinematográficas televisivas: repetem na tela grande o DNA episódico e restritivo (estético e textualmente) da versão da TV. O filme acompanha o “drama” de Bruno, que tem sua vida sexual ridicularizada após a namorada postar numa rede social de vídeos uma transa mal sucedida. Aí o filme entra numa sucessão de gags de uma piada só, caindo (como se imaginava neste tipo de produto) num dramalhão raso em seu final. Ou seja, receita de bolo com previsão comprovada de desastre final. Não sou louco de dizer que o filme não faz rir. Faz em alguns momentos; mas no geral é constrangedor, preguiçoso e ainda desnecessariamente longo.

Assalto ao Banco Central é melhor, mas igualmente equivocado, pela dita lógica de mercado (!!!).

Estreia do diretor de novelas Marcos Paulo na direção cinematográfica, o filme narra a história real e impressionante do roubo de R$ 164 milhões dos cofres do Banco Central de Fortaleza. O grande defeito da produção é desperdiçar essa trama que, em toda sua estrutura (preparação, execução e a caçada final) é riquíssima. O roteiro, de Renê Belmonte, peca por optar por uma romantização das figuras humanas envolvidas, ao invés de enaltecê-las factualmente. Exemplo: investe-se muito num triângulo amoroso banal e menos em suas motivações como indivíduos da ação. O roteirista tem se manifestado dizendo que a montagem do filme não corresponde à sua intenção como autor. Pode ter razão, afinal, a montagem prejudica muito o andamento da história e lima qualquer ranço de tensão.

Mas é inegável que esse trabalho de estreia de Marcos Paulo não corresponde a seu tradicionalismo na TV: ainda que conte com um apático Eriberto Leão no esteio de protagonistas, os atores em geral, como os excelentes Milhen Cortaz, Hermila Guedes e Lima Duarte, fazem seus papéis seu qualquer apuro de direção de atores. No caso de Hermila então, a deficiência é gritante, uma vez que sua personagem cai numa inexplicável caricatura, mesmo com esforço da atriz (que sempre arrebenta) para fazer um trabalho digno.

Enfim, um filme equivocadamente feito para render. E a estretégia tem dado certo. Por um lado é bom que aviva a indústria. O problema, nesses dois exemplos, é a quase certeza de que isso não se reverterá em adubo inteligente para um cenário promissor de nossa cinematografia, mas sim, em sucessivos casos isolados de “filmes que rendem grana”, mas subtraem uma expectativa de posteridade e solidificação do chamado Cinema Brasileiro.

Só nos resta torcer…

Cilada.com [xrr rating=2/5]
Assalto ao Banco Central [xrr rating=2.5/5]

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