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Crítica: “Renascida do Inferno” decepciona com roteiro fraco e poucos sustos

O problema com os filmes de terror é que, nos dias de hoje, está cada vez mais difícil prender as pessoas na cadeira com medo do que é mostrado na telona do cinema. O público, especialmente o jovem, já não consegue mais se assustar de verdade ou ficar apavorado (ou mesmo tenso) porque parece “anestesiado” com velhos truques e, ao invés de ficar agoniado, ele ri e corta qualquer clima de suspense e horror que poderia acontecer. A prova mais recente disso está no filme “Renascida do Inferno” (“The Lazarus Effect”), que tenta dar um novo gás ao misturar a clássica história de “Frankenstein” com “O Cemitério Maldito” (filme baseado em livro de Stephen King). É uma pena que, no entanto, o resultado ficou bem abaixo do esperado.

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Na trama, um grupo de cientistas, liderados por Frank (Mark Duplass) e sua noiva Zoe (Olivia Wilde), desenvolvem um soro que procura trazer os mortos de volta à vida. Depois que conseguem ressuscitar um cão, eles são surpreendidos com a decisão da reitoria da universidade onde trabalham de fechar o projeto e todos os seus materiais são apreendidos por uma indústria farmacêutica. Desnorteados com a notícia, Frank, Zoe e seus companheiros decidem recriar a experiência no laboratório, sem que ninguém saiba. Só que eles não esperavam que, num acidente bizarro, Zoe acaba morrendo. Desesperado por perder a amada, Frank decide injetar em Zoe uma amostra do soro, que ainda não foi testado em humanos. O procedimento parece ser bem sucedido e ela acaba realmente voltando dos mortos. Só que, aos poucos, os cientistas percebem que Zoe não é mais a mesma e, além de passar a ter uma personalidade mais sinistra, começa a desenvolver estranhos poderes e uma vontade de destruir a tudo e a todos, colocando-os em grave perigo.

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Um dos problemas de “Renascida do Inferno” está na indefinição sobre as causas da mudança de personalidade de Zoe (nome um pouco óbvio para a protagonista, já que significa “Vida” em grego, assim como Frank, referência para Frankenstein), já que, durante a trama, dá-se a entender que sua ressurreição e o surgimento de seus poderes se devem ao fato de que o soro teria feito a sua atividade cerebral se expandir a níveis nunca vistos num ser humano. No entanto, lá pelas tantas, o filme tenta vender a ideia de que a jovem foi, na verdade, transformada numa espécie de anjo exterminador, graças a diversas conotações religiosas que aparecem na tela, especialmente no momento em que Zoe, tentando manter a sanidade, reza sem parar agarrada a um crucifixo que carrega para todo o lado, depois de um trauma de infância, até finalmente perder o controle. Os roteiristas Luke Dawson e Jeremy Slater deveriam ter seguido apenas um caminho e seguido até o fim da trama, seja pela ciência ou pela religião, e não terem misturado tudo, o que causa uma tremenda confusão.

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Além do roteiro, a direção de David Gelb também decepciona, já que ele não consegue manter o clima adequado de suspense e terror por muito tempo no filme. As cenas de sonho de Zoe, por exemplo, nada mais são que um amálgama de sequências conhecidas de “O Iluminado”, de Stanley Kubrick, e “Barton Fink: Delírios de Hollywood”, de Joel e Ethan Coen, o que demonstra a falta de criatividade do cineasta. No entanto, algumas cenas de susto são bem feitas, embora o mérito maior seja da edição de som, que pontua de maneira correta os momentos de tensão necessários para que o efeito desejado realmente funcione. Mesmo assim, é pouco para que o filme se torne realmente exemplar.

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No elenco, há bons nomes, como Evan Peters (mais conhecido como o Mercúrio de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”), Donald Glover (da série de TV “Community”) e Sarah Bolger (a Princesa Aurora da série “Once Upon a Time”). Mas esses três atores pouco podem fazer com personagens rasos e esquemáticos, que só estão ali como boi em rio de piranha. O protagonista Mark Duplass, que esteve em filmes como “A Hora Mais Escura”, não atua mal, mas falta carisma para fazer o papel principal. Já Olivia Wilde utiliza bem o seu charme para criar uma Zoe cativante quando está viva e até consegue causar um certo impacto quando volta dos mortos. Mas nem ela, sozinha, consegue consertar os vários problemas que o filme apresenta.

Film Title: The Lazarus Effect

Com um final em aberto, que pode até indicar a possibilidade de uma continuação, “Renascida do Inferno” acaba frustrando quem procura por um bom filme de terror. Pelo menos, ele é curto (apenas 83 minutos de duração) e não enrola o espectador com uma história que se arrasta desnecessariamente. Pena que ela ficou tão mal resolvida e esquizofrênica, despertando mais indiferença do que medo e pavor, até mesmo nas pessoas mais impressionáveis. Quem sabe na próxima…

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Publicado por Célio Silva

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