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Festival do Rio: O vazio de “Unicórnio” não é apenas existencial

O diretor Eduardo Nunes tem uma obra minúscula, mas já cria expectativa em torno de si por sua marca sensível de autoralidade. Foi em um Festival do Rio, na edição de 2011, que ele foi celebrado pela beleza de Sudoeste. Seis anos depois ele traz para a Première Brasil seu mais novo filme, Unicórnio.

Baseado em contos da poeta Hilda Hilst, a história (se é que pode chamar assim) acompanha uma menina (Bárbara Luz) que mora no campo com a mãe (Patricia Pillar) e a observa em seu misto de solidão e entusiasmo pelo vizinho que aparece (Lee Taylor), e em paralelo a vemos com o pai (Zé Carlos Machado) num ambiente claro, onde reverbera o que vê e pensa. Como o filme anterior, as cenas são de um beleza extraordinária, especialmente pela subjetividade que impõe na narrativa. Por isso a fotografia de Mauro Pinheiro Jr é tão demarcada. Só que até subjetividade cansa.

Festival do Rio: O vazio de "Unicórnio" não é apenas existencial | Críticas | Revista Ambrosia

Nunes exige do espectador uma abstração excessiva e pouco dá para que se transforme numa reflexão. Tudo vira uma espécie de fetiche da imagem. E só. Para quem conhece a obra de Hilst sabe o quanto ela trabalha o intertexto mesmo com certo hermetismo. Ao adaptar isso para o cinema, a imagem não capturou essa complexidade, resultando num filme vazio, pretensioso ou simplesmente chato. Se fosse além da beleza, conseguiria provocar como Nunes soube bem fazer, e sem concessões, em Sudoeste.

Cotação: Regular

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