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“Mama” – O amor de mãe pode ser de matar

Guillermo del Toro é fascinado pela infância. E para ele, quanto mais sofrida e angustiante ela for, melhor. Prova disso são alguns dos filmes que dirigiu, como “A Espinha do Diabo”, “O Labirinto do Fauno” e até mesmo a sua versão para os quadrinhos de “Hellboy”. O tema também o motivou a produzir filmes de cineastas poucos conhecidos, como Juan Antonio Bayona, que fez “O orfanato” (2007), e  Troy Nixey, de “Não tenha medo do escuro”. Agora, del Toro volta a usar seu nome para a produção do diretor iniciante Andrés Muschietti, simplesmente chamada de “Mama”.

A trama (inspirada num curta-metragem do próprio diretor), começa em 2008, quando Jeffrey (Nikolaj Coster-Waldau, mais conhecido como o Jaime Lannister da série “Game of Thrones”) perde a cabeça após um escândalo financeiro, mata a mulher e o sócio e foge com as duas filhas. Um acidente na estrada os leva até uma casa no meio da floresta, que guarda um estranho segredo e acaba custando a vida de Jeffrey. Cinco anos depois, as meninas Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse) são encontradas, vivendo em péssimas condições e andando de quatro, como se fossem animais. Após serem tratadas pelo Dr. Dreyfuss (Daniel Kash), elas vão viver com o tio Luke (novamente Nikolaj Coster-Waldau), irmão gêmeo de Jeffrey, e a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain). O problema é que, além da convivência difícil com as garotas, eles terão que lidar com alguma coisa fora do comum, que estava no mesmo local onde as crianças estavam e não vai deixá-las em paz.

O filme, assim como as produções anteriores que del Toro dirigiu ou produziu, já citadas anteriormente, é como um conto de fadas de horror, começando com o clássico “Era uma vez…”. O roteiro, feito pelo diretor e sua irmã, Barbara Muschietti, junto com Neil Cross, enfatiza a dificuldade de Victoria e Lily de se reintegrar a sociedade, além do fato de Annabel, uma mulher que ainda vive e se veste como uma adolescente rebelde, ter que amadurecer e tentar tudo o que estiver a seu alcance para livrar as meninas da terrível ameaça que paira (literalmente) sobre suas cabeças. Para isso, boa parte da trama se passa dentro da casa onde moram, dando um clima mais claustrofóbico e os sustos e reviravoltas da história são bem convincentes, embora seja possível encontrar alguns furos na trama, que ainda assim não irritam o espectador.

Principal nome do elenco de “Mama”, Jessica Chastain até faz uma boa composição física da sua personagem. Mas sua atuação está abaixo do esperado, depois de boas performances em fimes como “A Hora Mais Escura”. Ela não consegue passar credibilidade nas cenas em que aparece como uma roqueira e só consegue mostrar que se preocupa com as crianças na parte final da trama. O verdadeiro destaque são as meninas Megan Charpentier, que dá um ar desolado e triste à Victoria, e principalmente Isabelle Nélisse, que mostra um ótimo trabalho corporal como Lily, mesmo com tão pouca idade, reforçando o mistério sobre o que aconteceu a ela e sua irmã durante cinco anos. O resto do elenco é competente, mas nada de excepcional.

Outros pontos fortes de “Mama” estão na ótima edição de som, que ajuda a envolver mais o público, deixando-o mais preso à cadeira com os sustos que surgem no desenrolar da trama. Além disso, os realizadores foram corajosos com o seu desfecho surpreendente, que foge um pouco do tradicional dos filmes hollywoodianos. Os efeitos especiais, embora não sejam espetaculares, são bem competentes. Assim, “Mama” cumpre o seu objetivo, com o clima de terror criado por uma mãe que não é deste mundo.

[xrr rating=3.5/5]

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Publicado por Célio Silva

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