Resenha: O Hobbit – Uma Jornada Inesperada

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Depois de quase uma década de espera Peter Jackson retorna a Terra Média para contar a primeira história que Tolkien escreveu sobre este mundo: O Hobbit. O filme segue de perto a aventura de Bilbo Baggins, o tio de Frodo, enquanto se junta a Companhia de Thorin Escudo de Carvalho (composta por 13 anões) e Gandalf, o Cinzento, na busca por recuperar a cidade de Erebor na Montanha Solitária.

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Impossível falar sobre “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” sem dizer que a opção de Peter Jackson de transformar em uma trilogia um livro menor que “A Sociedade do Anel” ficou um tanto quanto estranha. Não só todas as cenas do livro estão presentes no filme como muitas outras coisas adicionais (e porque não, desnecessárias) também estão. Por mais que toda a trama do “Necromante” de Angmar seja interessante, ela deve tomar cerca de 40 minutos de filme, introduz dezenas de personagens (Radaghast, Elrond, Galandriel e Saruman para ficar nos principais) e deixa perdido qualquer um que não conhece a história do Senhor dos Anéis.

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Julgando através de uma perspectiva puramente individual, graças a estes sérios problemas de edição é muito difícil considerar o Hobbit um filme bom, ele é interessante, tem boas cenas, mas não creio que se aproxime da trilogia original (este discurso é deveras familiar). Para os fãs da série a coisa é um pouco diferente, afinal ele peca pelo excesso de material, coisa que normalmente os fãs amam. Para as pessoas que já leram praticamente tudo que foi escrito pelo Tolkien, O Hobbit será uma viagem excepcional e fascinante, mesmo que algumas cenas ainda pareçam longas demais e às vezes cansativas.

Com um elenco tão grande é um pouco difícil conseguir trabalhar bem todos os personagens. Bilbo (Martin Freeman) está impecável como um jovem Ian Holm (que aparece no começo do filme e viveu Bilbo no filme original). O protagonista convence, é carismático e nos faz torcer por ele, o mesmo pode ser dito do sempre excelente Ian McKellen e seu Gandalf, que dessa vez ganha ainda mais tempo de tela.

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Os anões são um pouco mais difíceis, graças ao seu grande número. Apenas cinco deles ganham tempo de tela o suficiente para se tornar memoráveis: Balin (Ken Stott), Dwalin (Graham McTavish), Fili (Dean O’ Gorman), Kili (Aidan Turner) e como não poderia ser diferente Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage). Ainda que os dois irmãos não se destaquem realmente, os outros três anões são excelentes em todas as suas cenas. O resto da comitiva está muito bem caracterizada, mas tem pouco tempo de fala e interação real com os espectadores. Vale dizer, achei que Gloin (Peter Hambleton) seria mais presente, já que seu filho Gimli se tornou um dos personagens mais populares de O Senhor dos Anéis.

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Visualmente o filme se assemelha com a primeira trilogia, com longas tomadas aéreas que lembram um programa turístico da Nova Zelândia. As maquiagens e caracterizações estão excelentes e mesmo o excesso de CGI em alguns momentos não incomoda tanto. Os destaques vão para os Trolls e para o Rei Goblin, todos impecáveis assim como o sempre excelente Gollum (Andy Serkis).

Outro grande destaque que ficou fora de Senhor dos Anéis mas que apareceram por aqui com maestria são as canções. Junto com a trilha sonora de muita qualidade elas compõem em minha opinião as melhores cenas do filme. Acompanhe um destes momentos na belíssima “Over the Misty Moutains Cold”.

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O Formato 48 quadros por segundo

Confesso que o que menos gostei no filme foi este novo formato, e que possivelmente eu poderia desfrutar melhor a experiência se tivesse assistido ao filme em 24 quadros. A impressão que nos dá é que o filme está sendo passado em velocidade maior (x 1.5) na maioria dos momentos. Além disso, muitas cenas ficam com aspecto de telenovela graças aos movimentos dos personagens.

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É diferente, estranho e para mim não acrescentou em nada na experiência, pelo contrário, incomodou durante o filme inteiro. Um destaque negativo vai para as cenas de batalha, onde fica ainda mais difícil de saber o que está acontecendo, mesmo elas sendo obviamente fantásticas e bem filmadas, é simplesmente muita informação com tanto quadros e fica mais difícil acompanhar.

Se você deseja conhecer o formato, minha dica é assistir primeiro o filme em 24 quadros e depois se você realmente tiver curiosidade tentar os 48 quadros por segundo, que ao que parece incomoda a maioria das pessoas que assistiram.

 

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