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“Sonic: O Filme” quase chega lá

O sucesso do ouriço azul Sonic (sim, é um ouriço, e não um porco-espinho como muitos achavam) rendeu à Sega exatamente o que a empresa procurava ansiosamente: um mascote à altura de Super Mario, da concorrente Nintendo. O personagem, dotado de velocidade de dar inveja ao Papa-Léguas, o que proporcionava uma jogabilidade desconcertante para a época, acirrou a guerra dos consoles de videogame daquele início dos anos 90 protagonizada pelas duas gigantes japonesas.

Adaptações de diversas as mídias para o cinema, como gibis, séries animadas e seriados de TV, estavam na ordem do dia por conta do sucesso de Batman de Tim Burton, e foi aí que os estúdios de cinema começaram a voltar os olhos também para a efervescente indústria dos games e seus dois maiores ícones. O boi de piranha foi Super Mario, que ganhou uma produção vexaminosa lançada em 1993. O rival Sonic foi poupado pela falta de tecnologia convincente para convertê-lo em live action.

29 anos depois de sua primeira aparição nos consoles, “Sonic: O Filme” estreia nos cinemas precedido de muita desconfiança, não só pelo visual do protagonista mostrado no primeiro teaser (com olhos menores e separados), que desagradou os fãs e forçou o estúdio a fazer um “recall”, mas também pelo tom abobalhado das sequências mostradas nas prévias.

Na trama, um misterioso incidente com a energia elétrica em uma pequena cidade nos Estados Unidos leva o governo a acionar as forças armadas para uma solução. Um policial local (James Marsden) encontra Sonic (voz de Ben Schwartz no original), o causador do acidente, e o ouriço conta com seu novo amigo para  derrotar um gênio do mal Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey), que se apresenta ao governo para resolver a questão, mas seu real objetivo é dominar o mundo.

O longa segue aquela conhecida dinâmica em que uma criatura de outro mundo que encontra um amigo humano e precisa dele para não ser descoberto e escapar de cientistas ávidos por realizar experimentos. E a dupla se mete em muita confusão. Isso já foi visto sob diversas abordagens, em tons mais sérios ou cômicos. “Sonic” acerta em parte.

O diretor Jeff Fowler, iniciante em longa-metragem, foi bem sucedido ao reproduzir sem joystick o carisma e os maneirismos do personagem. A engenharia do jogo, quando emulada, tem uma transposição divertida (e não constrangedora como foi visto em “Doom”) e a solução encontrada para utilizar os famosos anéis como uma espécie de MacGuffin é uma das boas ideias do roteiro de Patrick Casey e Josh Miller.

No entanto, a dupla de roteiristas peca pelo humor óbvio e pueril e diversas conveniências de script perceptíveis e incômodas. O catalisador da trama é frágil e se configura mais como um mero pretexto. Outro ponto fraco da produção reside em um James Marsden (o eterno Ciclope da primeira trilogia X-Men) apático, sem timing para comédia e realizando um desbotado serviço de “escada” para o velocista azul. Ele é responsável pelo não funcionamento de algumas piadas.

O polêmico visual de Sonic, visando um pouco de realismo, foi modificado para que ficasse mais próximo do videogame. Nesse ponto o êxito foi alcançado, todavia, isso prejudicou a tangibilidade, pois, cartunesco demais, sua interação com os humanos e o mundo real que o cerca ficou menos crível. O filme se inicia no mundo do personagem, que nos transporta de forma bastante satisfatória para o que víamos em 16 bits. Se toda a trama se desenrolasse ali, não haveria esse problema. Em “Detetive Pikachu”, por exemplo, o aspecto anime dos pokémons foi moldado para não prejudicar a interação com os elementos reais. Aqui não houve esse cuidado. Os efeitos em CGI, de modo geral, resultam em algo semelhante àqueles filmes em que atores de verdade se misturavam com desenho animado.

Alvo de algumas críticas quando foi revelado, o vilão Robotnik de Jim Carrey pode ser considerado um dos trunfos do filme, sobretudo para quem estava com saudade daquele Carrey careteiro e espalhafatoso dos tempos de “O Máskara”, “Ace Ventura” e do Charada de “Batman Eternamente”. O rei da comédia dos anos 90 mostra que continua em forma no estilo de humor que o tornou famoso e que a escalação foi bastante adequada.

No balanço geral, “Sonic: O Filme” escapa ileso da catástrofe anunciada, e isso dá a sensação de o filme ser melhor do que de fato é, ainda mais na comparação com outras produções inspiradas em jogos de videogame, sobretudo a protagonizada por seu concorrente Mario. Com um ou dois tratamentos de roteiro esse poderia até se converter em um ótimo filme baseado em games. Quase chegou lá. Se não cumpriu o objetivo de se sair completamente satisfatório, consegue ser um entretenimento indicado para crianças e também para os fãs do jogo, que captarão easter eggs e ao assistir às cenas entre créditos torcerão para que uma sequência saia do papel.

Cotação: *** Bom (3 estrelas de 5)

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