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Steven Soderbergh tenta, mas não consegue inovar com “A Toda Prova”

Foto: divulgação

Ao divulgar o filme “A toda prova” (“Haywire”) para a imprensa, o diretor Steven Soderbergh (ganhador do Oscar por ‘Traffic’) disse que teve a ideia de fazer o filme após ver a lutadora Gina Carano numa disputa de MMA na televisão. Ele também afirmou que gostaria de não tapear o público com suas sequências de ação, tornando-as as mais verossímeis possíveis e, por isso, escalou uma não-atriz como protagonista de sua produção. Mas o que se vê em “A toda prova” não é bem assim.

No filme, Gina Carano vive Mallory Kane, uma agente secreta freelancer que é contratada pelo seu patrão (vivido por Ewan McGregor) para participar de uma missão de resgate na Europa. Aos poucos, ela vai descobrindo que nada é o que parece e que foi marcada para morrer pelos que confiava. Sozinha, ela parte para a vingança contra os seus contratadores.

O problema é que, tirando uma ótima sequência de briga entre Gina Carano e o canastrão Channing Tatum, logo no início do filme, todas as outras cenas de ação de “A toda prova” são mais do mesmo. Soderbergh não conseguiu tirar a sensação de “déja vu” das outras sequências de lutas do filme, além de não parecerem nada realistas. Quem já assistiu filmes de astros da pancadaria, como Stallone, Schwarzenegger ou Van Damme não vai ver nenhuma diferença. Outro aspecto decepcionante é em relação ao roteiro de Lem Dobbs, previsível e cheio de clichês, que não consegue nada inovador para resolver as suas situações, fazendo o espectador praticamente adivinhar o que vem logo em seguida. A única coisa inusitada é a relação de Mallory com o seu pai, vivido por Bill Paxton (“Twister”, “True Lies”). Num momento da trama, ela revela que conta a ele tudo o que acontece em seu trabalho, inclusive as piores partes. Ele, por outro lado, age como se ela ainda fosse uma menininha, protegendo-a da maneira que pode, de seus algozes.

A estrela de “A toda prova”, Gina Carano, é bonita e mostra desenvoltura para as cenas de tiros e pancadaria. Mas no quesito interpretação, ainda fica a desejar. Ela não consegue expressar quase nenhuma reação durante boa parte do filme, mantendo o rosto duro como pedra, mesmo nas cenas mais emotivas. Ela é o ponto fraco do elenco, que tem, além dos já citados acima, tem também Michael Douglas, Michael Fassbender (o Magneto de “X-Men – Primeira Classe”), Mathieu Kassovitz e Antonio Banderas, que aparece com uma barba grisalha, assumindo que está envelhecendo. Pelo menos, para escolher o seu elenco, Steven Soderbergh parece ainda mandar bem.

De qualquer forma, ” A toda prova” pode ainda assim ser um bom passatempo, se você não ligar muito para um roteiro batido, uma mocinha inexpressiva e uma direção nada inovadora do cara que já fez coisas mais interessantes, como “sexo, mentiras e videotape” e “Onze homens e um segredo”. Mas não tenha dúvida de que se esperava algo a mais do filme mais recente de Soderbergh.

[xrr rating=2,5/5]

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