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“Um Pai para Lily” e a emoção ao redor das figuras paternas

Um pai para lily destacado

Estamos nos aproximando do Dia das Mães, mas hoje falaremos sobre pais. O Dia dos Pais é comemorado em diferentes épocas, em diversos lugares do planeta. No Brasil é celebrado no segundo domingo de agosto, nos Estados Unidos no terceiro domingo de junho e em países como Portugal e Espanha em 19 de março, dia de São José. Qualquer que seja a data, a verdade é que existem todos os tipos de pai, do biológico ausente ao que o destino escolheu como figura paterna. E existe o cinema para celebrar, embora provavelmente com menos constância que celebra as mães, toda figura paterna, como acontece no emocionante “Um Pai para Lily”.

Lily (Barbie Ferreira) acaba de passar por uma desilusão amorosa. Ela tenta desabafar escrevendo poesia e conversando com o pai, Bob Trevino (French Stewart), mas ele parece mais interessado nas mulheres de um aplicativo de relacionamentos. Para piorar, em sua primeira sessão de terapia, Lily faz a terapeuta chorar! Para piorar ainda mais as coisas, ela arruína um encontro do pai com uma das mulheres que ele conheceu online, fazendo com que Bob decida se afastar de Lily.

Outro Bob Trevino (John Leguizamo) vive a alguns quilômetros de distância de Lily e trabalha com construção, além de ser casado e feliz com a entusiasta de scrapbooking Jeanie (Rachel Bay Jones). Um dia Lily manda para este Bob uma solicitação de amizade no Facebook, achando que se tratava de seu pai. O estranho homônimo aceita a solicitação, e, já sabendo da confusão e nunca se aproveitando dela, Lily começa a conversar com Bob.

Logo Bob se transforma no pai que Lily nunca teve. Atencioso e prestativo, ele curte todas as fotos dela no Facebook e atende ao chamado dela durante uma emergência. Há algum drama quando se trata de estabelecer limites na relação deles, mas eles decidem seguir com a amizade. Conseguirá Lily separar os dois Bob Trevino da sua vida?

Bob conta que ele e Jeanie tiveram um filho com uma doença rara, que viveu 21 meses e dois dias – um assombro, já que a maioria dos bebês com a mesma condição vive menos de 18 meses. Bob se atrapalha ao falar que “foi” ou “é” pai, mostrando sutilmente como a sociedade lida com o luto e a nomenclatura de quem perdeu um filho. Lembremo-nos de um clichê: um filho que perde pai ou mãe é órfão, mas não há nome específico para um pai ou mãe que perde um filho. Junte a isto a expectativa da sociedade de que “homens não choram” e a maneira como homens precisam segurar a barra em crises no casamento, demonstrando o mínimo possível de emoção.

“Um Pai para Lily” arrasa na representatividade. Além de ter uma personagem cadeirante – Daphne (Lauren ‘Lolo’ Spencer), empregadora de Lily – há corpos reais na tela e um duo latino. John Leguizamo, que fala alguma coisa de espanhol no filme, nasceu na Colômbia. Barbie Ferreira tem ascendência brasileira – e aqui fica uma discussão na qual não vamos nos aprofundar: podemos chamar brasileiros de latinos?

No final, sem spoilers, uma surpresa: o filme é baseado numa história real, que aconteceu com a diretora, produtora e roteirista Tracie Laymon. Por sua coragem e delicadeza em transportar a história para as telas, Tracie vem ganhando prêmios tanto do público quanto da crítica, em festivais em cidades tão variadas quanto Denver, Nashville, San Diego, Dublin e Valladolid.

Minha figura paterna foi meu avô. No mesmo dia em que vi “O Avô na Sala de Estar”, documentário afetivo que partiu de uma ideia da neta do grande linguista e intelectual Antonio Candido, vi este “Um Pai para Lily”. A emoção com certeza rolou solta neste dia e peguei-me pensando, como você também provavelmente ficará, na importância das figuras paternas, mesmo as que não compartem laços de sangue.

NOTA 7 de 10

Um Pai para Lily

Um Pai para Lily
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Nota: 7/10 Ótimo
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7/10
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