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O lado escritor de Jim Morrison

Talvez você não saiba quem foi Jim Morrison, o que fez, se fora ou não, o que realmente se passou em sua vida abrupta, mas provavelmente já ouviu alguma canção do grupo de rock The Doors em alguma boa mídia. Bem, assim parece! Acontece muito mesmo de alguém ser lembrado apenas por coisas mais emblemáticas – por exemplo, música popular, de tão fácil assimilação que é! Provável que o fato de ser cantor ajudou em sua poesia, ou vice-versa! Mesmo assim, a intenção deste artista era outra, desde o princípio, a de ser escritor. Ele próprio havia feito tal premissa real ao partir para Paris a fim de se dedicar exclusivamente a essa arte. Quem sabe se por afinidade com os poetas franceses, ou por simples vontade de se isolar. Seja como for, ainda é relativamente pouco lembrado como um poeta, um escritor.

Sua forte e contestadora poética gira em torno de imagens lisérgicas, sexualidade, desolação, violência mística e hipnótica desprovida de medos.

Nota-se que, em vida, além das composições como cantor letrista dos Doors, apenas publicou três livros: “As Novas Criaturas” (1968), “Os Senhores” (1969) e “Uma Oração Americana” (1970). Me arrisco a dizer que todos sem edição brasileira – ainda que vertidos paro o português lusitano pela Editora Assírio & Alvim. O que se encontrou, ademais, são em sua maioria obras inacabadas, tentativas, além de material gravados durante sessões de ensaio… renomeados, por vezes, a esmo.

Enfim, a intenção é a de elucidar.

Os deixo com algumas traduções livres de três épocas distintas (tomo por base as edições espanholas oferecidas pela Editora Espiral/Fundamentos).

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Mulher lagarta

com teus olhos de serpente

com tua selvagem surpresa.

Cálida filha do silêncio.

Veneno.

Dá volta com um escorregar de queixosa sabedoria.

Os imperturbáveis olhos cegos

detrás dos muros novas histórias se alçam

e despertam grunhindo e choramingando

a misteriosa aurora dos sonhos

Cachorros mentem dormindo.

O lobo uiva.

A criatura sobrevive à guerra.

A floresta.

Um sussurro de palavras cortadas, rio

obstruído.

(De  “As Novas Criaturas”, Poema VII)

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Já não existem “dançarinos”, os possessos.

A divisão dos homens em atores e espectadores

é o fato central de nosso tempo. Estamos obcecados

pelos heróis que vivem por nós e aos quais castigamos

Se todas as rádios e televisões fossem privadas

de suas fontes de energia, todos os livros e quadros

queimados amanhã, todos os espetáculos e cinemas fechados,

todas as artes de existência atribuída…

Nos contentamos na busca das sensações “dadas”

De um corpo louco dançando nas colinas

Nos metamorfoseamos em um par de olhos olhando fixamente na escuridão

(De  “Os Senhores”, Poema XI)

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Fria música elétrica

Machuca-me

Rompe minha mente

com seu torpor escuro

Fria têmpora de aço

Frias mentes vivas

na orla estrangulada

Veteranos de guerras estrangeiras

Nos somos soldados das

Guerras do Rock & Roll

(Dos “Poemas 1966-1971”)

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Publicado por paulo vitor grossi

VerificadoGibizeiroMusicista

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