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Dobradinha Metá Metá e Siba põe plateia do Circo Voador para dançar ao som mestiço

Três em um. Quantas vezes? Nos arremata! Metá Metá.

Som de igreja que não siga a cartilha gospel.Três em um segue as arestas da trindade: o Sax de Thiago França já é um segundo elemento gutural vindo das profundezas do soul: alma ioruba. Mas este trio não estava triangulado no show altamente termostático que abriu a dobradinha no Circo Voador no sábado à noite com Siba, que fechou a festa. Havia mais um batera e um baixo fechando o presto em cinco.

O som da banda com a célula afro beat, lembrando Fela Kuti com a voz estrepitosa de Jussara Marçal, miscigenando nossas almas afros – Brasis, – entre semânticas em dia-diletos (sons das palavras em afro-português). Postura corporal frenética de expressiva, como se cada parte de suas mãos fosses apêndices da linguagem mestiça do vocabulário ioruba.

Kiko Dinucci, era o terceiro elemento: o vértice do encontro. Ali em suas mãos ágeis cabia a entropia do quente e mais suave do show e das canções. Quando estava na fissura, entrava um dedilhado mais nervoso, lembrando alguns bons momentos do hard core. A banda por sinal incluindo a cozinha baixo-bateria modulava muito à vontade as linhas melódicas destes dois estilos.

Depois veio Siba.

A ideia do medievo para chamar a plateia a se ajuntar numa praça, num cercado para a trupe fazer seu jogo. Era ter uma carta na manga para ver o que ia ser do improviso. Esta noção de baile solto, da gíria da rua: deixa solto – vozes manobristas.

Deixa solto,turma! foi assim no show de Siba no Circo lotado, um show para decolar o álbum Baile solto, último do artista.

Com uma formação quadrante: Guitarra (Siba), Tuba (Leandro Gervazio), Percussão (Mestre Nico) e bateria (Antônio Loreiro). O canta(autor) Siba promove uma arte carnavalesca onde a palavra em som & tom contundente vem de porta estandarte. Com um ritmo em ponto de bala, tanto na levada rítmica da sua guitarra ibérica com acentos afros quanto na dobradinha bateria & percussão, modulando as duas células rítmicas distintas mas somadas no conjunto. O percussionista, aliás, é o mestre de cerimonias do palco, quase um clown pontuando frases líricas de trechos das letras.

Siba é um poeta talvez maior do que músico. Toda a arregimentação sonora parece que vem de(o) fundo para a melodia ® sua poética que tem ,sim, um cunho de crítica social, mas para mim tem mais a ver com um jogo de luta entre a luz e a sombra. Esta dualidade entre o mestre do jongo e o “diabo” que me lembra um pouco, Ariano Suassuna, está toda alinhavada no quase livro sonoro que ele incendiou no Circo Voador.

Fotografias por Raquel Gandra.

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