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"Sheezus" traz Lilly Allen de volta à sua propriedade pop

Lilly Allen representa a modo mais direto e emblemático da música pop britânica atual. Com seu humor corrosivo dentro da própria indústria da qual faz parte, a cantora nunca havia me convencido plenamente num álbum inteiro. Sheezus, seu retorno a cena musical após parada de quase três anos, representa uma evolução em sua curta carreira, equilibrando bem sua personalidade vocal quase minimalista, com seu discurso irônico e novas investidas em sonoridades eletrônicas sem necessariamente descaracterizá-la. Muito tem se falado nas farpas que lança em símbolos pop americano como Beyoncé, Lady Gaga e afins, mas esse tipo de, digamos, discurso, é uma marca recorrente na carreira de Lilly. Onde isso fica mais claro é na eficientíssima (letra e sonoridade) Hard Out Here.

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Close Your Eyes é a Lilly sendo a Lilly em seu híbrido sonoro de pista e lounge. O CD tem momentos equivocados quando quase vira refém de sua crítica em músicas que evocam aquele hip hop genérico que tanto vemos por aí. Air Balloon é bem isso, mesmo não sendo necessariamente ruim numa segunda escutada. Insincerely Yours e Take My Place são inspiradas e refletem como a cantora domina a falta de condescendência com o gênero. Mesmo finalizando o disco com a dispensável, mas tenra reinterpretação de Somewhere Only We Know dos rapazes do Keane, Sheezus é um trabalho que retoma a cantora inglesa a seu posto de integrante, mas contestadora, ferramenta da cada dia mais diluída música pop mundial. Belo de um retorno…

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