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Metal Hurlant? Que barato bicho!

Inicío triunfal.

Começo dos anos 70, na América iniciava a ressaca do Flower power, a revolução feita pela turma do Crumb dissipava-se, os super heróis lentamente e de maneira diet absorviam temas até então inéditos entre suas paredinhas feitas de nanquin:

Política, drogas e questões raciais desbotaram seus uniformes coloridos.

No cinema via-se a popularização de uma linha mais voltada para a direita, filmes como Amargo Pesadelo de John Boorman e Os Implacáveis de Sam Peckinpah confirmavam a certeza de que a América estava mais interessada no olho por olho do que em paz e amor. Os Stooges prenderam o amor livre na rabeira de seu carro enferrujado feito de barulho e microfonia e o arrasta de cara no asfalto, sem dó nem piedade. Era uma época esquisita:

Na França ainda se vivia o Flower power, mas misturado com muita ficção científica, música, Flash Gordon, Filosofia, Sociologia e Literatura de tudo quanto era espécie.

Sem esquecer de adicionar um pouco de Fritz Lang e seu Metropólis, mais grandes mestres da pintura universa, e uma certeza: Não sabemos fazer rock e não temos dinheiro para fazer filmes, mas bds nóis faiz! Classe é isso ai!

Pensando dessa forma é que Phillip Druillet, Jean Pierre Dionnet e Moebius conceberam a Metal Hurlant no começo dos anos 70, uns papéis grampeados, coloridos e extremamente revolucionários, quadrinhos de ficção científica e fantasia que dialogava com sua época como poucos, diferente do que se produzia na América, eles trituraram tudo:

Psicodelismo, moda, design industrial, ilustração, literatura (respeitável), cinema, rock progressivo , viagens de drogas, religião, ciência e tudo o mais.

É desnecessário dizer o quanto esta publicação se tornou influente, não só em seu meio, mas em quase todos os meios que influenciaram seus criadores, talvez de maneira mais profunda no cinema, diretores como Ridley Scott, James Cameron, Steven Spielberg, Luc Besson, Peter Jackson… Mestres do cinema de ficção e fantasia responsáveis pela renovação visual deste gênero de cinema, nunca esconderam sua influência dessa revista, assim como John Dykstra e Syd Mead, responsáveis pela concepção e efeitos especiais de Jornada nas Estrelas – O filme, Blade Runner e Tron.

Ao longo de sua vida a Metal Hurlant foi catalizadora de grandes talentos que por lá passaram: Richard Corben, Enki Bila, Jean Claude Mezieres, Jean Claude Gal, e o grande escritor chileno Alejandro Jodorowsky (Abram os olhos patricinhas de Alan Moore) e muito mais…Foi uma vida próspera e feliz, que gerou muitos filhos, netos e bisnetos.

Ilustrador: Enki Bilal

Moebius e companhia criaram um portal para uma realidade paralela a nossa onde as máquinas dominaram tudo com nosso total consentimento, se analizarmos o nosso dia-a-dia de hoje com internet, tecnologia digital e a chamada guerra limpa feita pelo teclado em algum bunker escondido veremos que os caras não eram tão bicho grilos assim .

3 opinaram!

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  1. a minha intenção foi exatamente esta ,pegar um salmão defumado suculento ,por no anzol e quando forem pegar eu puxo ,bruno esquece essa parada de heroi ou vilão ,a metal hurlant era uma revista mista de autor que publicava historias serializada e historias curtas de varias partes do mundo ,liliane meus artigos nunca serão de especialista nerd .dou pouca referencia e o minimo de explicação possivel para atiçar a curiosidade ,por falta de informação e material para a referencia, a metal hurlant é considerada sim uma revista de bicho grilo, isso graças ao nosso mercado que passa aos nossos leitores que quadrinhos é sinonimo de super heroi ,mas não se deseperem a internet é uma ótima ferramenta parapesquisa .

  2. Vilões???? Heróis??? É necessário expandir a mente e passar dos termos impostos pelo mercado de super herói, os quadrinhos europeus trouxe histórias que são verdadeiras obras de arte, com conceitos tão complexos que as vezes é necessário lê mais de uma vez para pegar os detalhes e sem essa de heróis vs. vilão, isso é muito simples.
    Os desenhos são obras primas que merecem serem expostos em um museu, fãs de Jim Lee e McFarlane procurem esses artistas, aposto que ficarão maravilhados com o que verão.
    Quando se começa a lê material europeu, obras intocáveis como o Watchmen, por exemplo, começa a perder seu encanto e não é exagero, faça o seguinte teste, verifique de onde vierem os autores que fizeram as melhores obras nos quadrinhos de super-herói?????
    O conceito é simples HQs nos EUA é mercado (dinheiro) e na Europa é arte, não digo para deixar de lê super-herói, pois é legal e muito divertindo, mas expanda a mente, conheça outros quadrinhos com várias propostas que irão agradar até os mais exigentes dos leitores
    E existe muito material publicado no Brasil, procure em sebos e livrarias que você éra encontrar com os mais variados preços.

  3. Vilões???? Heróis??? É necessário expandir a mente e passar dos termos impostos pelo mercado de super herói, os quadrinhos europeus trouxe histórias que são verdadeiras obras de arte, com conceitos tão complexos que as vezes é necessário lê mais de uma vez para pegar os detalhes e sem essa de heróis vs. vilão, isso é muito simples.
    Os desenhos são obras primas que merecem serem expostos em um museu, fãs de Jim Lee e McFarlane procurem esses artistas, aposto que ficarão maravilhados com o que verão.
    Quando se começa a lê material europeu, obras intocáveis como o Watchmen, por exemplo, começa a perder seu encanto e não é exagero, faça o seguinte teste, verifique de onde vierem os autores que fizeram as melhores obras nos quadrinhos de super-herói?????
    O conceito é simples HQs nos EUA é mercado (dinheiro) e na Europa é arte, não digo para deixar de lê super-herói, pois é legal e muito divertindo, mas expanda a mente, conheça outros quadrinhos com várias propostas que irão agradar até os mais exigentes dos leitores
    E existe muito material publicado no Brasil, procure em sebos e livrarias que você éra encontrar com os mais variados preços.

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Iniciante

Publicado por aloisio.costa

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