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Fim de “Bloodline” ressalta sua falta de vocação para série

Quando a Netflix divulgou que iria cancelar a série Bloodline, os criadores, Todd A. Kessler, Daniel Zelman e Glenn Kessler, disseram que tinham planejado a trama para 6 temporadas. Quando acabou a primeira, em 2015, bem boa por sinal, fiquei me perguntando o porquê da história, mesmo formatado para tal, ser construída para ser seriada. Ainda mais para 6 temporadas.

Mesmo que esses mesmos criadores tenham criado uma das melhores séries americanas – Damages – não fazia muito sentido querer diluir um plot forte, mas tão resoluto na própria dramaturgia principal. E o que fomos acompanhando na segunda e nessa chatíssima terceira e última temporada, foi exatamente esse caminho. Vamos lá, a série fala de uma trágica família, os Rayburn, dona de um resort na Flórida, que vive a tensão da retorno de um de seus integrantes, Danny (Ben Mendelsohn), o filho problemático que estava sumido.

Essa volta desenterra muitos segredos e tensões do passado, o que culmina na morte do filho pródigo, pelo próprio irmão, o estimado e correto detetive da cidade, John Rauburn (Kyle Chandler). A primeira temporada explora as razões para o crime, num jogo tenso de razões para o fato, numa espécie de ciranda cheia de intrigas com o restante dos irmãos, o complicado Kevin Rayburn (Norbert Leo Butz) e (aparentemente) lúcida Meg Rayburn (Linda Cardellini ). A segunda foi basicamente acerca das consequências do crime e de como isso vai corroendo essa família.

Bloodline

Essa última temporada até tenta um respiro dramático, com um assassinato de um personagem importante, mas a forma como as ações se dão para adensar a trama vão ficando repetitivas. E lá pelo terceiro episódio, a gente está lutando para não bocejar. A trama anda em círculos e não vai para lugar nenhum. Personagens deixam de ser desenvolvidos e até esquecidos (o que acontece com a filha, agora rebelde, do “xerife”?).

Mas o pior ainda está por vir: nos dois últimos episódios, a série resolve tomar um rumo ainda pior, meio sobrenatural, e a chatice ganha níveis de irritação. Simplesmente a história não termina e vira uma espécie de crise de consciência do protagonista, cheio de frases de efeitos e olhares perdidos. Uma solução, no mínimo, preguiçosa para o que vínhamos acompanhado desde o início. Bloodline não tem história para ser uma série com mais de uma season. No máximo uma parte de uma antologia. Pelo jeito, a Netflix teve mais senso do que seus próprios criadores.

  • A terceira temporada foi uma porcaria, puseram sobrenal, e ficou ainda mais chata e irritada, como os caras consegue acabar tão mal uma série que nas duas temporadas foram ótimas.

    • Concordo plenamente. Assisti tardiamente e fiquei impressionado com as duas primeiras temporadas. Mas a terceira foi um lixo mal escrito e mal acabado. Que decepção!

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