AcervoCríticasLiteratura

Livro de poemas "Preia-mar" poetiza pequenos relatos do desenlace amoroso

Uma relação pede em algum momento uma canção que a demarque não o movimento espaçado do encaminhar-se, deixando uma nota ao pé do ouvido, mas ao nó do compasso que circula o efêmero. Mas que fique só no tempo da canção a espera ou a intuitiva alegria, tão igual a um dia de chuva que é tão intenso com cheiro (de terra molhada), como nostalgia de um tempo bom ( aqui não necessariamente o sol presente). Como a casa da gente com vitrola, jogo de sofá e poltrona para aquela visita que acaba de chegar de Porto Alegre, (outro sentimento que rela na relação a dois).
A cidade é sua cartografia, ode à passagem onde o amor calcou, não há demarcação na ida de um amor que saiu pela porta afora e sumiu pela vielas ou ruas de um percurso urbano. E é sempre com um som na vitrola que o eu que fica cantarola e controla um espaçamento entre a roupa branca (falsa paz?) e o branco da página, recém manchada de poemas- palavras negras. A poeta Juliana Ben em seu segundo livro chamado Preia-mar, Editora Penalux, traça no livro qual seria o espaço entre o privado de alguma relação entre duas pessoas e os espaços contados quando o campo da saudade ou ausência se faz presente, aqueles pequenos rebatimentos, onde será que esta pessoa está?
Se um pulo na praia se conta nos dedos da ampulheta do agora-e-do-depois cheia de areia espumada ao contato das vagas ondas que ladrilham aquele espaço onde as pegadas dormem na musicalidade da marola que para à certo ponto do guarda-sol. A poeta relaciona com seus poemas extremamente musicais espaços entre o privado e o público aqui numa suíte sobre o andar-vagar nas cidades. Os versos trilham uma cantiga do deslocar-se,  afetivamente, mas sempre atento às passadas do coração, uma perene disgressão sobre o não estar aqui no outro.

Deixe um comentário

Sugeridos
CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

CríticasTeatro

Excelente montagem de A Gaivota, de Tchekhóv

O Armazém Companhia de Teatro está de volta com uma nova montagem...

CríticasMúsicaShows

Após longo hiato, Flávio Venturini festeja 50 anos de carreira no Rio com show inspirado

Assistir a um show do cantor, compositor e tecladista Flávio Venturini sempre...

CríticasSéries

Segunda temporada de “Treta” fica aquém do brilhantismo da primeira

Você sabe o que é uma série de antologia? É aquela série...

CríticasFilmesLançamentos

Champagne (2026): uma inesquecível viagem de pai e filho

Ali pela metade do filme holandês “Champagne”, Hans está conversando com um...

LançamentosLiteratura

Escritor Douglas Robberts lança “Meninos avessos, duendes travessos”

Nova obra de Douglas Robberts apresenta o encontro inesperado entre dois meninos...

LançamentosLiteratura

Christian Araújo leva personagens trans a uma Belém distópica em Não Sou um Diário

Escritor e cineasta paraense mistura poesia, ficção científica e cultura pop em...

CríticasFilmes

O Fim da Rua e o ensaio sobre a finitude

O Fim da Rua, produção assinada por J.J. Abrams e sua produtora...

LançamentosLiteratura

Romance premiado sobre violência contra a mulher percorre Sesc RJ

Selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, “Açougueira”, de Marina Monteiro,...

CríticasFilmes

“Homem-Aranha: Um Novo Dia” e a árdua tarefa de recomeço

Novo longa abraça a essência clássica do herói, longe das muletas do...