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Festival do Rio exibe “Ned Rifle”, último filme do cineasta americano Hal Hartley

Hal Hartley é um diretor de poses. O que poderia lhe facultar uma alcunha de cineasta maneirista, pois seus enquadramentos nos anos 90 com, “Simples Desejo”, e “Confiança” eram um próprio recorte de seus personagens.

No sentido mais literal do que figurativo, ele quase tesourava planos enviesados dos seus tipos mais amalucados. Mais a pose, ela ultrapassa o sentido do corpo; no quadro, para quase tipificar um tipo de comportamento estranho da linha-cult que o cinema incorporou em certo momento na década de oitenta, principalmente com Jim Jarmusch (Estranhos no Paraíso). Hal usa esta roupagem estética pelo viés da ironia, pois seus diálogos são cheios de um humor que perpassa uma certa melancolia aflitiva para um sorriso perspicaz, como se cada fala de algum de seu personagem buscasse uma zoada referencial ou do mundo acadêmico americano ou literário.

“Ned Rifle” seu último filme (2014) fecha uma trilogia com seu personagem Henry Fool (confissões de Henry Fool) de 1998, que teve um segundo momento com Fay Grim (esposa do Henry), que acaba sendo presa no segundo filme por uma maluquice do “sem noção” Henry.

Nesta terceiro filme da série vemos o filho de Fay, Ned Rifle, com 18 anos, saindo da casa de um reverendo do qual ficou sob cuidados adotivos durante 4 anos. Ele sai de casa e vai procurar a mãe que lhe diz que uma pós graduada irá lhe escrever sua autobiografia. Outro membro da família que ele irá falar é seu tio, que depois de anos tentando ser um poeta respeitável no show business parte para o standy comedy com piadas prontas na qual é supervisionado por um auxiliar-de-piadas.

A trama bem simples junta uma jovem mentalmente inadaptada que foi vítima de um assédio sexual de Henry quando tinha 13 anos, que casualmente se encontra no mesmo hotel que o tio de Ned. Através de coincidências muito particulares e referenciais o mosaico de tramas vai se afunilando para uma lei-motivo de busca de “reparo” psíquico. Ambos os jovens Ned, e a moça, vão atrás de Henry, embora cada um tenha suas bagagens emocionais para chamar Henry para um passeio-pouco-amistoso.

O diretor salpica seu roteiro de um vocabulário auto-evocativo para o próprio fazer arte na América. Dentro de um contexto artístico como se deve? Inserir uma situação transgressora; qual tipo de moralismo? se deve ter com personagens fora do esquadro normativo. A pose é para o diretor, uma pesquisa eminentemente estética dos padrões que a América exporta ao mundo, em termos de estereótipos culturais. Ambos personagens, tanto Henry quanto a garota que transou com ele, modificam-se no decorrer da narrativa.

Uma pertinente gradação de valor do que o público percebe de si ao se ver refletido, pois ninguém é sã ao foco dos olhos (plano americano).

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