Wicked part
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“Wicked: Parte 2” busca manter o interesse no ato inferior

Todo fã da peça “Wicked” sabe que o musical blockbuster da Broadway inspirado no livro de 1995 de autoria Gregory Maguire, que arrasta multidões desde 2003, tem muito de sua força concentrada no primeiro ato. A segunda parte basicamente desdobra o que foi estabelecido na primeira, sem números musicais tão icônicos como ‘What Is This Feeling?’, ‘Popular’ e ‘Defying Gravity’. Com isso, “Wicked: Parte 2”, a conclusão do grande sucesso de bilheteria de 2024, poderia sofrer por ter como base a parte menos vibrante da história. À frente da adaptação de um musical da Broadway para o cinema de maior arrecadação de todos os tempos, Jon M. Chu já estava ciente do desafio. O projeto fora concebido em duas partes justamente porque já era esperado que o faturamento seria alto, dada a popularidade da versão teatral, sobretudo nos Estados Unidos e países de língua inglesa, com isso, o cineasta se esforçou para tornar a segunda metade mais interessante na versão cinematográfica.

Retomando a jornada épica das Bruxas de Oz, vemos Elphaba e Glinda separadas após os acontecimentos do primeiro capítulo, quando a primeira se esconde nas profundezas da floresta, carregando o peso de ser considerada a temida Bruxa Má do Oeste, enquanto a segunda desfruta do prestígio de seu novo papel como o ícone máximo da bondade na Cidade das Esmeraldas. Entre cerimônias, adulações e responsabilidades políticas, Glinda tenta reparar a ruptura que as afastou, mas sua tentativa de aproximar Elphaba do Mágico acaba ampliando ainda mais o abismo entre elas.

Tudo muda quando uma “misteriosa visitante do Kansas” irrompe em Oz, desencadeando eventos que colocam todo o reino em tensão e reacendem antigos conflitos. Com a população se voltando perigosamente contra Elphaba, as duas amigas percebem que apenas unidas poderão enfrentar as forças que ameaçam destruir o que resta de suas histórias — e talvez reconstruir o laço que nunca deixou de existir.

O segundo ato do espetáculo é considerado até mesmo por muitos fãs como um tanto corrido, solucionando as questões de modo simplista. No entanto, apoia-se nas conexões com “O Mágico de Oz” ainda maiores do que na primeira parte. Chu, a exemplo do que fez no primeiro filme, também duplicou a duração, que nos palcos é de apenas uma hora, com 2h17 na adaptação cinematográfica. Ocorre que o roteiro de Dana Fox, escrito juntamente com Winnie Holzman, autora do texto teatral, parece se preocupar muito mais em prolongar a experiência e evidenciar o elo com a obra de L. Frank Baum, e consequentemente sua adaptação cinematográfica de 1939, do que desenvolver mais a contento o que nos palcos era concluído de forma apressada. E tal como no longa de 2024, a questão dos animais, que o teatro não aproveitou tanto, ganha mais atenção e o devido desfecho.

A direção de Chu continua acertada, porém, apesar de terem sido rodada simultaneamente à Parte I, parece ter tido menos esmero na Parte II. O diretor que apresentou movimentos de câmera desconcertantes em “Wicked 1”, não foi tão arrojado desta vez, utilizando-se até mesmo plano-contraplano em cenas que demandavam mais grandiosidade. Contudo, é inegável o cineasta buscou manter o interesse do público nessa etapa com menos apelo e para isso se valeu da parte técnica já estabelecida, sobretudo o design de produção, e do elenco.

Cynthia Erivo e Ariana Grande continuam sendo os grandes trunfos da produção. A química entre as duas continua imbatível, algo primordial para que a versão cinematográfica funcionasse. Com mais tempo nessa parte final, Ariana, que surpreendeu a todos como Glinda no longa anterior, mostra ainda mais repertório, sobretudo nas alternâncias entre a comédia e o drama, além dos momentos em que demonstra as dúvidas que acometem a personagem em relação ao seu novo papel em Oz, de forma ainda mais evidente do que na peça. Enquanto isso Cynthia com sua Elphaba apenas confirma o quão grandiosa é sua atuação e presença em cena deixando o público à sua mercê do primeiro ao último frame. Além delas, Jeff Goldblum no papel do Mágico e Michelle Yeoh vivendo a Madame Morrible continuam eficientes, embora mais caricatos.

“Wicked: Parte 2” ganha duas músicas originais, obviamente visando indicação ao Oscar, uma para cada protagonista. ‘No Place Like Home’ é cantada por Cynthia e ‘The Girl in the Bubble’ é o grande momento para os fãs de ariana. Nenhuma das duas é tão marcante quanto as escritas originalmente para o musical, embora tenho sido escritas pelo compositor dos números da peça, Stephen Schwartz. A segunda, inclusive apenas alonga a duração, reforçando uma questão da personagem que está em evidência desde o início do filme.

No fim, trata-se de uma história só, e o conjunto da obra é bastante satisfatório. Como o estúdio optou pela cisão, obrigou-nos a avaliar dois longas e o segundo acabou perdendo, da mesma forma que o segundo ato da peça perderia se fosse julgado em separado. Ainda assim é uma hercúlea execução que merece todos os méritos reconhecidos.

Wicked: Parte 2

Wicked: Parte 2
7 10 0 1
Nota: 7/10 - Ótimo
Nota: 7/10 - Ótimo
7/10
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