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Deflora, de Gabriel Felipe Jacomel, ludicida a língua na criação poética.

É como se a linguagem fosse o escopo de uma prática. De brincar com as possibilidades
da seriedade das letras-silabas-palavras quando agrupadas feito um série escolar. Tudo que é pertencido tende a socializar. O menino quando vai à escola, o jovem quando vai ao estádio. É uma prática de estar perto do outro(a). Mas a arte está longe um pouco disso. Principalmente a poesia. Ela é bacana quando vive de ruptura principalmente com sua sintaxe.

Quando letras-silabas são postas sonoramente juntas para dar uma ideia dissonante. A poesia de Gabriel Felipe Jacomel, em Deflora pela Editora Patuá, não foi à escola se apredizar. Um labor(o)ratório interessantíssimo que ele faz em seus poemas. Há uma interlocução satírica entre os títulos de cada poema com os versos-poemas que ele constrói com uma falsa displicência.

Usando de forma genial o aparelho linguístico, o autor mergulha no jogo entre forma e sentido do poema mexendo com aliterações, reversões de expectativas, e criando um espectro lúdico para cada cena poética. “fazer politica sem sujar as mãos (por que limpava no coleguinha).

Um recurso do bom satirista e, principalmente, poeta é especular a própria linguagem na criação. Fazer dela uma corda elástica, tentando até onde vai o limite das palavras no seu encaixe de sentido no corpo do poema. Para isso o poeta usa o vocabulário não só como aparato mas também com padrão paródico da língua.

deflora

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