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“Java Jota” de Thiago Mourão faz do poema um novo traçado da escrita narrativa

Põe letra amigo, nesta canção. Não, Não, disse o poeta. Prefiro a batida do coração. Ela já está no corpo do poema e da mulher amada. Me diz o poeta que o carrilhão do soneto é ter quatro estrofes. Mas digo ao poeta que o corpo só tem cabeça, tronco e membros. O coração diz o poeta é o veio da vida. Digo para ele é o velho uso dos signos narrativos que os autores gostam de se fazer desapercebidos. Começando com uma prosa de um J que parece uma bengala do poeta que chama seu personagem de Java. Numa escrita penumbrosa entre os claros da prosa e semitons do verso.

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Este Java que compôs uma figura feminina de nome Rosa. Parece que ele já a teve, e que na perene hora em que escreve a revê de novo como uma encarnação do amor que árdua nele, pela embocadura dos seus sexos juntos numa cópula melódica (por que entre música e poema não importa o gênero, há uma relação sempre carnal)!

Este Thiago, amigo meu, fez das suas com seu novo livro pela Editora Patuá; uma diabrura diabólica. Botou um acorde de violino; fez um sopro de sons que fazem a nota não rodar à pé, mas sim no coração de Rosa, esta mulher que tem uma xoxota rosada e acobreia os tendões de Aquiles de Java, uma lira entre o texto narrativo (na sua composição imagética, aqui lembrando, que o coração é um órgão propulsor de correntes, de pegou nas veias, que levam ideias para o corpo da página ou da vagina, ambas coloridas de espesso vermelho e a experiência sensorial do artista.

Java vai deslizando de aspectos, de sexualidades, rumo ao estado da latência, de um ser feminino em que os estados se transformam como seios-leite, como a palavra poética, um esteio de repouso ou de a(mar) bravio com as vocalizações-volições do seu personagem.

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Publicação Fernando Andrade