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Quatro perguntas para a escritora Fabíola Weykamp

Fabíola Weykamp, nascida em Brasília/DF, reside desde um ano de idade na cidade de Pelotas/RS. É formada em Letras pela UFPel (2013), tem seu primeiro livro de poemas, “Resenhas da solidão – um livro de poesia e dor cotidiana”, publicado pela Editora LiteraCidade, Belém/PA, 2015; obra ganhadora do Prêmio LiteraCidade Jovem, 2014. É colunista da Revista Subversa e acaba de publicar “Ensaio sobre a Solidão”, pela Editora Penalux (2018). Fizemos quatro perguntas à escritora. Confira.

1-) Como o tema da solidão apareceu quando você montou o livro? Você tinha ideia que seus poemas seguiam esta linha temática ao juntá-los? 

Meu primeiro livro, publicado em 2015, já abordava a solidão como pano de fundo de minhas poesias. Na época foi mais um compilado de tudo que eu havia escrito desde 2007, com limite de páginas, e juntei para participar do concurso nacional LiteraCidade. Esse, penso que não tão firmemente como agora, a solidão mais atuante está presente neste novo livro.

Eu não havia imaginado nenhuma temática para o livro, nem mesmo pretendia escrevê-lo. Escrevi em uma noite de 2015, quando eu acordei no meio da madrugada, de sobressalto, para anotar o título “Ensaio sobre a solidão”. Abri uma página do Word e fiz uma capa, naquele momento eu dei sequência aos poemas, escrevi praticamente todo o livro naquela madrugada até o amanhecer, quando me deitei exausta sem nem me dar conta do que havia acontecido, só precisava me deitar mesmo.

O sentimento de solidão estava presente naqueles meus dias, foi pessoal. Eu havia terminado um relacionamento de seis anos e os poemas do livro aconteceram meses depois, em que eu estava querendo abandonar a terapia para ficar dormindo. Então, eu não fiz o processo de selecionar os poemas e juntá-los numa única temática só, como no primeiro livro, por exemplo. Foi tudo uma mesmo bloco, realizado praticamente, em um único momento, porque eu só retomei a escrita, para finalizá-lo muitos e muitos meses depois.

2-) Teu livro não é descritivo sobre o tema que você propõe, ele é muito imagético, com uma linha cinematográfica bem interessante. Esta forma de escrita, como foi seu desenvolvimento no decorrer dos poemas? 

Hoje em dia, consigo ter mais concreta a ideia de que meu trabalho com escrita envolve muito a quebra de linearidade, a mistura do que está no psicológico (pensamento) com o que está sendo descrito no momento. Principalmente no “Ensaio” tem muito disso. Contudo, não foi algo super pensado a respeito, planejado. Foi o que aconteceu enquanto eu escrevia os poemas na sequência, na ansiedade de dar conta do que eu precisava dizer naquele momento. Por isso a falta de pontuação, os versos quebrados estranhamente à primeira vista. Eu só tinha um objetivo naquele instante: não perder a intensidade com que aqueles versos chegavam até a mim e a sensação que eu tinha era a de que, embora fossem pessoais os motivos da escrita, eu podia ver cada uma das cenas de fora, como se estivesse assistindo a um filme mesmo.

3-) A fantasia seria um espaço no qual realizamos nossas fugas, nossos medos do fora, do entorno. Como é para você elaborar este lugar da não palavra no início, onde o poema ainda não existe, como você começa a escrever? Como é seu ponto de partida? 

Meu ponto de partida é não ter partida alguma. Eu trabalho com escrita, com meus poemas, dando aulas de Língua Portuguesa, corrigindo trabalhos acadêmicos e mantendo atualizada minha coluna (Astronauta de Pulôver Azul Néon) na revista luso-brasileira, SubVersa.

A escrita está presente no meu dia a dia, muito embora o gatilho para a minha escrita literária não seja algo que eu pratique sempre, que eu tenha uma rotina regrada, com o café do lado e uma janela com vista para o mar para um propósito. Às vezes estou chegando em casa, com as compras ou meu cachorro Tom Jobim e preciso abrir todas as portas correndo porque eu pensei em uma única palavra que imediatamente corresponde ao poema todo que eu preciso anotar de imediato senão, não lembro de forma alguma. Por mais que eu tente. E quando tento, esbarro sempre no que eu acredito que serve apenas para mim: quanto mais cru e menos elaborado ou trabalhado é o poema, mais verdadeiro ele é para mim.

Não que eu desconsidere os escritores em sua maioria que têm esse cuidado incrível de lapidar seu texto até chegar no resultado que deseja, e seus mil processos elaborados de escrita. Por enquanto, esse tipo de abordagem não corresponde com minha ansiedade pela escrita e minhas motivações pessoais em escrever.

Às vezes eu estou assistindo a uma partida de futebol e preciso anotar um verso e quando eu o faço, já escrevo outro e outro e outro e poema está feito. Muitas vezes após esse tipo de escrita eu preciso pegar o dicionário para conferir se aquela palavra que nunca usei está adequada e passo o dia tentado lembrar onde eu a li ou a escutei, geralmente sem resultado algum. Então, a minha escrita não é de caso pensado se a gente enxergar apenas isso, mas, de alguma maneira, em algum momento antes da escrita, a escrita já estava acontecendo.

4-) E como vai o processo de divulgação? Já teve lançamento?

O lançamento foi no dia 25/04. Foi um momento inesquecível em que reuni meus amigos e familiares e importantes professores de minha (e para a minha) graduação. Foi uma noite especial e até mesmo faltaram alguns exemplares no momento. A casa estava cheia de afeto.

As divulgações ainda estão acontecendo, algumas páginas apoiadas pela editora Penalux ou que têm compromisso com a Literatura estão fazendo esse trabalho, felizmente.

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Publicado por Fernando Andrade

Escritor e poeta, e jornalista, tem dois livros de poemas, Lacan por Câmeras Cinematográficas, e Poemometria lançados pela editora Oito e meio. Participa do coletivo de Arte, Caneta lente e pincel, com contos e poemas. também participa do Trema Literatura, coletivo de textos de ficção. tem entre seus escritores mais amados, Thomas Pynchon, Ìtalo Calvino, e no cinema ama demais Krzysztof Kieslowski.