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Com Irene, Rodrigo Amarante entoa solidão da alma artista

“Milagre seria não ver / No amor, essa flor perene / Que brota na lua negra / Que seca, mas nunca morre”. Rodrigo Amarante se apropria de Irene, musa de Caetano em exílio, para falar também da solidão imposta pela alma artista. Como outras músicas do disco Cavalo, Amarante emprega o silêncio de maneira orquestral, fazendo da ausência o sentimento ensurdecedor.

“É sobre a falta, um amor que não se consegue esquecer. Quando digo que já não sei o nome dela, é que ela pode ter se casado e mudado de nome. O nome dela eu sei, é Irene. Escolhi esse nome porque é uma referência à ‘Irene’ do Caetano [Veloso], e à do Ciro Monteiro. No caso do Caetano, é a mulher que em exílio ele imaginava sorrir, o símbolo do amor que ficou do outro lado do continente. Para mim, ela representa os amores que tive de largar cada vez que me mudei e inventei coragem de recomeçar na infância – porque na infância eu já amava muito intensamente. A Irene é um amor irrealizado que jamais vai morrer. É um nome que abrange essa mulher, que não precisa ser mulher. Pode ser um lugar, uma memória que ficou e não se apaga.” – Rodrigo Amarante em artigo da Rolling Stone

Poesia completa

Saudade, eu te matei de fome
E tarde, eu te enterrei com a mágoa
Se hoje eu já não sei teu nome
Teu rosto nunca me deu trégua
Milagre seria não ver
No amor, essa flor perene
Que brota na lua negra
Que seca, mas nunca morre
Verdade, eu te cerquei de longe
E tarde, eu encostei no medo
Se ontem eu cantei teu nome
O eco já não morre cedo
Milagre seria não ter
O amor, essa rima breve
Que o brilho da lua cheia
Acorda de um sono leve
Irene
Irene ri

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