Chorus
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Chorus, o combate espacial está de volta

O combate espacial sempre tiveram um espaço na indústria de videogames, embora mais recentemente esse espaço tem diminuído muito. Não é que o gênero tenha desaparecido, mas na verdade se tornou um nicho com uma base de fãs bem pequena. Aliás, bem fiel. Assim, surpreende quando um grande desenvolvedor decide lançar um título de combate e exploração espacial. É um caminho arriscado, não, necessariamente, uma receita de sucesso.

O estúdio alemão Deepsilver Interactivee Fishlabs, lançou Chorus, um game que traz de volta o gênero com elementos modernos que os verdadeiros fãs certamente irão apreciar. Mas fora disso, estamos diante de um título digno do seu tempo?

Vamos analisar a seguir.

Análise

Essencialmente, Chorus é um jogo de exploração e combate espacial em um mundo aberto, onde teremos a liberdade de ir aonde quiser e completar cada objetivo como achar melhor. As missões têm caminhos lineares, mas saindo delas não será necessário seguir um caminho pré-determinado, embora eventualmente tenhamos que retornar às missões da história para desbloquear o conteúdo adicional.

Em Chorus, interpretamos Nara, uma piloto e guerreira que pertencia ao Círculo, um culto sinistro que cometeu todos os tipos de atrocidades pela galáxia. Quando Nara percebe todo o mal que causou, decide deixar o culto para se juntar à Resistência, um grupo de mercenários, contrabandistas e sobreviventes que procuram acabar com o Círculo a todo custo.

A apresentação do jogo mostra orçamento limitado que Fishlabs tinha para este jogo. Já que geralmente na maioria dos jogos para estes consoles vemos apenas o modelo 3D. Nara é o único modelo 3D, o resto dos personagens, secundários ou NPCs, só aparecem como pequenos retratos quando falamos por meio deles via rádio ou telefone. Ou seja, em nenhum momento vemos Nara interagir fisicamente com nenhum deles, algo que tira muito impacto emocional da história. Faz sentido que a Fishlabs tenha preferido concentrar seu orçamento em coisas mais importantes como o combate, por exemplo, mas a história também parece incompleta em certas partes.

A princípio, pela história há um interesse em saber mais sobre os personagens e sobre o cenário,  mas o fato das interações se limitarem apenas a ligações com personagens que dificilmente se desenvolvem, chega a um ponto que é melhor focar apenas em lutar contra os inimigos.

Nara possui poderes psíquicos que lhe permitem “sentir” as memórias de cada área que visita no espaço e revivê-las em primeira mão. Essas memórias geralmente oferecem um pouco mais de detalhes sobre onde estamos, embora na grande maioria essas histórias sejam bastante chatas e em vez de nos oferecerem um mistério que realmente nos deixa com vontade de investigar mais, temos uma solução tão simples como ” Esta nave explodiu devido a geradores defeituosos.”

Dizem que o herói de cada história só é tão bom quanto o seu vilão e, dessa vez, nem o herói nem o vilão conseguiram se destacar. Ou seja, Nara é uma protagonista um tanto genérica, e o Círculo que enfrentamos também. O objetivo principal desses antagonistas é cultivar algo conhecido como Chorus (daí o nome do jogo), que funciona essencialmente como magia. A própria Nara a possui,  que se traduz em habilidades sobrenaturais que nos ajudarão na exploração e combate do inimigo, mas fora disso não se explica o porquê desse culto desejar alcançar esses poderes.

O mundo aberto funciona?

Sim, felizmente. O mundo aberto é dividido em diferentes zonas, cada uma com atividades primárias e secundárias. Apesar de estarmos no espaço, cada área é diferente das outra, o que vale pelo cuidado da desenvolvedora em não repetir ou reciclar.

Antes de explorar totalmente o mapa do jogo inteiro, devemos completar uma série de missões tutoriais que o preparam para o resto dos níveis. Não teremos a liberdade de visitar todas as áreas devemos fazer melhorias que permitirão entrar em áreas mais perigosas, mas uma vez que estivermos nestes níveis, a exploração é com liberdade total.

Com níveis variados, as missões, devido à própria natureza do jogo, pois não saímos da nave para interagir com outros personagens, as missões serão limitadas apenas para proteger certos comboios, matar inimigos e de vez em quando, seguir naves não detectadas.

Apesar dessa variedade limitada de missões, o combate em Chorus é tão bem executado que em nenhum momento sentimos cansados de fazer os mesmos objetivos repetidamente.

Exploração

Temos algumas ferramentas que ajudam a explorar, destacamos uma espécie de sonar que destaca pontos de interesse na interface do jogo. Podem ser inimigos, missões paralelas, dinheiro ou locais que não visitamos.

É importante ressaltar que a interface pode ser um pouco confusa no início, pois haverá muitos ícones na tela e inicialmente se sentimos perdidos, sem saber o que cada um representa. Mas com o avançar esse problema é corrigido e acabamos se familiarizando com esses ícones.

Chorus tem um sistema de viagem rápida, embora na realidade seja praticamente obrigatório. Parecido com as estruturas qe encontramos em Mass Relays, que permitem que viajamos entre as galáxias.

Combate extremo

Sem dúvida, o combate é definitivamente o melhor do jogo. No início, só termos umas submetralhadoras inicialmente, mas assim que adquirimos novas armas e poderes, tudo muda…

Apesar de não ter muitos inimigos, o jogo combina todos os tipos deles para que você esteja sempre trocando de armas. E temos que criar uma certa estratégia de combate, mas as coisas mudam nas lutas com os chefões.

Além de inimigos comuns, em Chorus enfrentaremos adversários especiais que requerem certos procedimentos para derrotá-los. Há naves imunes a seus ataques, mas se destruirmos seus geradores de energia tudo muda; também encontramos inimigos impossíveis de causar danos, a menos que ataquem primeiro com um forte raio. Essa versatilidade de combate é um ponto forte.

Há poderes que ajudam e quando combinados, criam uma sensação incrível. Tanto as armas como os poderes podem ser melhorados nas diferentes bases do jogo usando uma combinação de recursos e créditos, a moeda fictícia do jogo. Como também suas defesas, seus escudos, que precisam de atualizações e pagar por esses upgrades. Mas não existe apenas uma grande variedade de armas, mas também métodos defensivos à sua disposição.

Bem Otimizado

Surpreende, pois, Chorus oferece dois tipos de configurações gráficas: a configuração de desempenho que permite jogar em 4K e 60FPS dinâmicos, e a configuração de fidelidade que mantém 4K nativo, mas a 30FPS. Como também foi lançado para consoles de última geração, há cenários impressionantes.

Talvez não tenha a melhor história de ficção científica em um videogame, com um orçamento limitado, mas que compensa com um combate divertido, ótimos gráficos e um sistema de exploração decente.

O jogo não traz absolutamente nada de novo ao gênero, mas quase tudo que faz, está bem otimizado e dificilmente encontramos problemas técnicos ao longo das 20 horas que oferece.

Chorus provavelmente não será o jogo que fará de você um fã do gênero, mas é um ponto de entrada incrível para aqueles com o mínimo interesse em combate espacial. Disponível para PC, PS4, Xbox One, PS5, Xbox Séries X e S.

Nota: Ótimo – 3.5 de 5 estrelas

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