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Poeta Franck Santos em seu novo livro de poemas dialoga com a experiência-musicada

É como se arte do poema viesse antes de uma vida. De páginas brancas, um mestre japonês talvez falasse da sabedoria do não dito. Do pior e mais feroz contra – dito. Se numa roda de amigos poetas com um copo de cachaça de um alambique coo – risco desse à cada poeta, um pedacinho de Azul, e que no ambiente houvesse pouca, sim, muito pouca luz. E que o livro-dobradura, fosse sendo volatizado ali, com alguns haicais-experimentais, que o livro fosse sendo encorpado ali, através das múltiplas personas dos poetas.

Vi um pouco de Ângela Rô Rô neste livro do Franck Santos que o poeta endereçou a mim, Um livro Azul-roxo de tão bem escrito, cujo nome é Poemas para dias de chuva, editado pela Patuá. Dividido em três suítes cada uma tem seu cômodo sintático com um tamanho de quarto: pequenos poemas na primeira suíte, Relâmpagos, onde os versos atravessam estados de permanência ou solicitude à um outro. Mas há também nos versos um acompanhar à bebida, como se Franck cantasse ao fazer sua primeira suíte, como se melodicamente fosse possível extrapolar o vívido vivido. “Há dias que saio de dentro de mim, abro portas, portões, janelas, porões, alçapões para o amor não sentir-se aprisionado”.

Na segunda porta, o leitor já adentra espaços mais projetados ao poema-prosa, aqui talvez haja um espaço pra o festejo, o dionisíaco, esta suíte chamada de trovões, carregam já o peso das ações-lembranças, eivadas de momentos resguardados pela memória, do que o poeta lembra de sua carnadura enquanto homem-amor ao outro. O poeta já não está múltiplo, agora ele se encontra só, e com lembranças de dias chuva, onde o som entra por alguma claraboia, um estrondo que poderia ser do piano do poeta, mas não é, um rimbombo de trovão, “se eu demorar meus poemas estão no congela(dor), retire-os e coloque-os no forno em temperatura branda por dez minutos. PS Pode ir comendo-os, trarei canções para sobremesa”.

A terceira suíte, Franck parte para um escrito(rio) onde o espaço é de guardar os recortes ou as volições mais judiciais. Tempestade, agora o poeta está na sua mesa, preparando vivências, colocando vírgulas emocionais que vem junto da respiração enquanto escreve o livro de poemas, agora chove torrencialmente palavras-águas, e o sabor do livro é multifacetado como um bom drink.

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