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“Digitais do caos” cose a filosofia (po)ética do ser

Corpo: esta costura interna de respiração, circulação, digestão e pensamento… Um organismo montado pela pele contínua que talvez seja a melhor página escrita feita até agora. Texto vivo que anda, vive, ama e morre.

O ato da costura é um ato de amor. Coser ser. A filosofia é esta agulha que costura o que se tenta explicar por existência. Se “penso, logo existo”, poderíamos dizer respiro, logo vivo. Como logo me mantenho.

No livro de poemas “Digitais do Caos” do Poeta Tito Leite, pela Editora Edith temos uma costura invisível a coser o ser dos poemas. Não é um ponta de lã que vai se trançando ao tecido, embora lã seja um bom tecido poético. E sim uma costura imanente; aquela que não é visível aos olhos nus. Uma costura interna como se tem em organismos que compõe um sistema. Tito na sua tapeçaria estruturante cria sua imagética em cada estrofe com belas sugestões carregadas de símbolos  e dialéticas.

Cada sua partícula de poema tem em si um universo de informações ali depositadas que se fecham no corte e abrem noutro corte criando assim uma região topográfica de solo montanhoso. A sua geografia estabelece ao leitor na hora da leitura uma visão rica de topografias ricas em matizes (de alcance dos olhos) pois para olhar para região “acidentada” é preciso ajustar o foco para as “coisas fora do lugar”.

É encantador o poder de síntese e concisão do poeta, em ajustar o foco poético para o que realmente é tenro na poesia: lidar com as palavras em ambiente hostil. Selvagem. E manter o corte cirúrgico sobre o que velar e o que esconder. Imagens podem ser belas, mas se elas estão zangadas podem ser melhores ainda. Pois a figuras imagéticas de Tito estão sempre se nivelando em camadas tectônicas, como placas que se encostam e que podem abalar as estruturas da leitura.

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