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Os destaques da música em 2020

Apesar de ter sido um ano atípico, difícil, cruel e todos os predicados exaustivamente usados para definir os últimos 366 dias, 2020 ferveu na cena musical.

Fortemente prejudicada pela proibição de shows e festivais (o que de fato gera receita para os artistas em tempos em que álbuns representam uma fatia irrisória dos lucros), a indústria fonográfica sobreviveu através de lives, shows ao vivo do passado liberados por artistas gratuitamente e lançamentos-eventos como os novos discos de Paul McCartney, Bob Dylan e a volta do AC/DC.

Pop

O ano começou com a sensação Billie Eilish fazendo a limpa no Grammy. Maio marcou a volta de Lady Gaga com “Chromatica”. O single ‘Rain On Me’, parceria com Ariana Grande, foi uma das músicas mais tocadas do ano. Inclusive Ariana também lançou seu álbum, “Positions”, em 30 de outubro.

 

Taylor Swift arrancou elogios apresentando uma outra direção em sua sonoridade no festejado “Folklore”. Miley Cyrus lançou o tão adiado “Plastic Hearts” e dividiu um pouco as opiniões.

Os novos e celebrados trabalhos de Selena Gomes, Shawn Mendes, Dua Lipa e Halsey também fizeram a alegria dos fãs de música pop.

Rock

O gênero musical mais influente da segunda metade do século XX segue lutando para manter sua relevância e para isso em 2020 se apoiou na força dos veteranos. Em fevereiro Ozzy Osbourne lançou seu trabalho de estúdio “Ordinary Man”, que contou com participações dos Guns N’ Roses Slash e Duff McKagan, Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers, além de um inusitado dueto com Elton John na faixa-título.

Também de disco novo, o Pearl Jam mostrou ao mundo “Gigaton”, o primeiro trabalho inédito em sete anos. Há quem o considere o melhor desde a era grunge.

Ainda na onda do “quem é vivo sempre aparece”, que norteou o gênero em 2020, tivemos o retorno dos Strokes com “The New Abnormal” sete anos depois de seu último trabalho “Comedown Machine”, do System of a Down que saiu da toca depois de nada menos que 15 anos sem lançar nenhuma música inédita e colocou na praça um single com duas faixas: “Protect The Land” e “Genocidal Humanoidz”.

Bob Dylan, oito anos depois de seu álbum “Tempest”, chamou atenção no final de março lançando sem aviso prévio o single “Murder Most Foul”, um épico de inacreditáveis 16 minutos e 55. Depois veio a confirmação de que tratava de uma faixa  do novo álbum, “Rough and Rowdy Ways”, que chegou ao mercado em 19 de junho.

O final do ano trouxe o aguardadíssimo retorno do AC/DC que lançou o disco “Powr Up”, que não deixou de ser uma homenagem ao guitarrista Malcolm Young, falecido em 2017 e que deixou algumas bases de guitarra que puderam ser aproveitadas. A banda estava em silêncio desde que o vocalista Brian Johnson precisou se afastar por problemas de audição. Recuperado (pelo menos para gravar em estúdio) ele pôde se juntar aos companheiros nesse álbum que em nenhum segundo se afasta da fórmula consagrada do AC/DC

E no apagar das luzes de 2020, Paul McCartney fechou sua trilogia iniciada com McCartney, trazendo “McCartney III”. Se o álbum de 1970 sucedia o fim dos Beatles e sua continuação vinha logo depois da separação dos Wings, o terceiro capítulo foi motivado pelo isolamento forçado devido à pandemia, que deu ao ex-Beatle tempo para produzir ainda mais do que o costume.

Lives, Shows, Etc

Foi impossível escapar das lives em 2020. Com os shows e festivais impedidos de acontecer por conta da pandemia, essa foi a forma eficaz de os artistas manterem o contato com seu público, sobretudo no Brasil, onde em alguns dias havia dezenas acontecendo simultaneamente.

Grupos de pagode e Sertanejo dominaram as transmissões ao vivo e forçaram medalhões como Roberto Carlos e Caetano Veloso a seguirem a onda.

Os artistas estrangeiros em geral preferiram liberar antigas apresentações ao vivo gratuitamente em seus canais no YouTube, como fizeram Metallica, Radiohead, Genesis, Pink Floyd e Rolling Stones. Lives só gravadas, como os eventos beneficentes na luta contra a Covid-19 “Together at Home”, organizado por Lady Gaga, e o “Global Goal: Unite for Our Future”. No segundo semestre, Sam Smith e Billie Eilish fizeram suas lives nos moldes do que se consagrou por aqui, só que pagas.

2020 também ficou marcado pela música com imagem. Nessa lista deve ser lembrado o álbum visual de Beyoncé “Black is King”, do Disney+, os documentários lançados pela NetflixAmarElo – É Tudo Pra Ontem”, do rapper Emicida“Excuse Me I Love You”, de Ariana Grande, e Anitta – Made in Honório, da cantora Anitta.

Artistas que nos deixaram

Também foi um ano de duras perdas no mundo da música. Em janeiro faleceu Neil Peart, o baterista do Rush, considerado um dos melhores de todos os tempos e que lutava contra um tumor no cérebro. Alan Merrill, ex-líder do The Arrows, autor da versão original de ‘I Love Rock N’ Roll’, que se tornou um clássico com Joan Jett, foi vítima da Covid-19 no final de março.

Em julho o mundo da música e do cinema se despediu do compositor de trilhas sonoras Ennio Morricone, que aos 91 anos sofreu uma queda e fraturou o fêmur. Em outubro o rock perdeu um dos maiores guitarristas de sua História, Eddie Van Halen, que há alguns anos lutava contra um câncer na garganta.

O Brasil perdeu a cantora Vanusa, que sofreu insuficiência respiratória aos 73 anos, e o vocalista do Roupa Nova, Paulinho, que tratava um linfoma e teve seu quadro complicado ao contrair Covid-19.

Melhores discos do ano!

1. Rough and Rowdy Ways – Bob Dylan

2. Fetch the Bolt Cutters – Fiona Apple

3. It Is What It Is – Thundercat

4. Songs/Instrumentals – Adrianne Lenker 

5. Mundo Novo – Mahmundi

6. After Hours – The Weeknd

 

7. Shore – Fleet Foxes

8. McCartney III – Paul McCartney

9. Quadra – Sepultura

10. Gigaton – Pearl Jam